Cetoacidose Diabética na Gravidez: Diagnóstico e Manejo

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Primigesta de 20 anos de idade, com 25 semanas de gravidez, com queixa de náuseas, vômitos, dor abdominal e mal-estar há cerca de 12 horas. Ao exame físico: REG, corada, desidratada 2+/4+, anictérica, acianótica, afebril. FR: 20 ipm, Fc: 108 bpm, PA: 120x70 mmHg. Abdome flácido, descompressão brusca negativa. AU: 28 cm. BCF: 160 bpm. DU ausente. Traz os exames colhidos no início do pré-natal, conforme tabela a seguir: Assinale qual é a melhor hipótese diagnóstica neste momento. 

Alternativas

  1. A) Apendicite. 
  2. B) Cetoacidose diabética. 
  3. C) Hiperêmese gravídica. 
  4. D) Esteatose hepática aguda. 

Pérola Clínica

Primigesta 25 sem, náuseas/vômitos, dor abdominal, desidratação, taquicardia e AU 28cm (maior que IG) → suspeitar de Cetoacidose Diabética.

Resumo-Chave

A cetoacidose diabética (CAD) na gravidez é uma emergência médica grave, com sintomas inespecíficos como náuseas, vômitos e dor abdominal, que podem ser confundidos com outras condições gestacionais. A taquicardia e desidratação, junto com uma altura uterina desproporcional à idade gestacional, devem levantar a suspeita de hiperglicemia descompensada.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação grave do diabetes, que pode ocorrer em gestantes, mesmo naquelas com diabetes gestacional ou tipo 2, e é particularmente perigosa devido ao risco materno e fetal. Os sintomas iniciais são frequentemente inespecíficos e podem ser confundidos com condições comuns da gravidez, como náuseas e vômitos da gravidez ou hiperêmese gravídica, ou até mesmo com dor abdominal de outras etiologias, como apendicite. A gestação predispõe à CAD devido a alterações hormonais que aumentam a resistência à insulina e à maior demanda metabólica. A presença de náuseas, vômitos, dor abdominal, desidratação, taquicardia e uma altura uterina que não corresponde à idade gestacional (possivelmente maior devido a polidramnia associada ao diabetes) deve levantar forte suspeita. A ausência de febre e descompressão brusca negativa ajudam a afastar apendicite. O diagnóstico de CAD é laboratorial, com hiperglicemia (geralmente >200 mg/dL), cetonemia/cetonúria e acidose metabólica (pH <7,3 e bicarbonato <15 mEq/L). O tratamento é uma emergência e envolve hidratação vigorosa com fluidos intravenosos, insulinoterapia para corrigir a hiperglicemia e a cetose, e reposição de eletrólitos, especialmente potássio. O monitoramento fetal contínuo é essencial. A rápida identificação e manejo são cruciais para melhorar os desfechos maternos e fetais.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de cetoacidose diabética em gestantes?

Os sintomas incluem náuseas, vômitos, dor abdominal, polidipsia, poliúria, fadiga, desidratação, taquicardia e respiração de Kussmaul.

Por que a altura uterina pode estar aumentada na cetoacidose diabética em gestantes?

A altura uterina pode estar aumentada devido à polidramnia, uma complicação comum do diabetes gestacional mal controlado, que pode preceder ou acompanhar a cetoacidose.

Como diferenciar cetoacidose diabética de hiperêmese gravídica ou apendicite na gravidez?

A diferenciação requer exames laboratoriais: glicemia elevada, cetonúria/cetonemia e acidose metabólica confirmam CAD. Hiperêmese causa vômitos intensos sem acidose significativa, e apendicite tem dor localizada e sinais inflamatórios específicos.

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