Cetoacidose Diabética Euglicêmica: Diagnóstico e Manejo

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2023

Enunciado

Homem com DM tipo 2, 71 anos, recorreu ao serviço de urgência por mal-estar geral e anúria. Estava prostrado, confuso, hipotenso, com respiração de Kussmaul. Analiticamente apresentou leucocitose, PCR de 202 mg/dL, acidose metabólica grave com aumento do hiato aniônico, glicemia de 141 mg/dL e leucocitúria. Esses resultados foram interpretados como contexto infecioso urinário grave. Após consideração dos antecedentes medicamentosos e achados clínicos, foi verificada uma cetonemia alta que estabeleceu o diagnóstico de cetoacidose diabética euglicêmica e permitiu início do tratamento dirigido com resolução da clínica. Qual medicamento o paciente estava usando que poderia justificar o quadro clínico descrito?

Alternativas

  1. A) Gliclazida
  2. B) Acarbose
  3. C) Sitagliptina
  4. D) Dapaglifozina

Pérola Clínica

CAD euglicêmica: suspeitar em pacientes com inibidores SGLT2 (Dapaglifozina), mesmo com glicemia normal.

Resumo-Chave

A cetoacidose diabética euglicêmica é uma complicação grave, mas subdiagnosticada, associada principalmente ao uso de inibidores do SGLT2. A glicemia pode estar normal ou apenas levemente elevada, mas a acidose metabólica com hiato aniônico aumentado e a cetonemia são marcantes, exigindo alta suspeição clínica.

Contexto Educacional

O tratamento da CADe segue os princípios da CAD clássica: hidratação venosa agressiva com cristaloides, insulinoterapia endovenosa contínua e reposição de eletrólitos, especialmente potássio, conforme necessário. Diferentemente da CAD hiperglicêmica, pode ser necessário adicionar glicose à hidratação venosa mais cedo para evitar hipoglicemia, enquanto a insulinoterapia continua para suprimir a cetogênese. A educação do paciente sobre os riscos e sintomas da CADe ao iniciar inibidores SGLT2 é fundamental para a prevenção e o reconhecimento precoce.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da cetoacidose diabética euglicêmica?

Os sinais incluem mal-estar geral, náuseas, vômitos, dor abdominal, respiração de Kussmaul e alteração do nível de consciência. A glicemia pode ser normal ou levemente elevada, mas há acidose metabólica com hiato aniônico aumentado e cetonemia/cetonúria significativas.

Qual a relação entre inibidores SGLT2 e a cetoacidose diabética euglicêmica?

Os inibidores SGLT2 (como a Dapaglifozina) promovem glicosúria, reduzindo a glicemia. No entanto, podem aumentar a produção de corpos cetônicos ao alterar o balanço insulina/glucagon e a utilização de substratos, predispondo à cetoacidose mesmo com glicemia normal.

Como é feito o tratamento da cetoacidose diabética euglicêmica?

O tratamento é semelhante ao da cetoacidose diabética clássica, incluindo hidratação venosa agressiva, insulinoterapia contínua e reposição de eletrólitos (especialmente potássio). É fundamental monitorar de perto os níveis de glicose e cetonas.

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