Inibidores de SGLT2 e Cetoacidose Diabética Euglicêmica

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 57a, procura atendimento médico com episódios de vômitos e sonolência. Antecedentes pessoais: diabetes mellitus tipo 2 com diagnóstico há uma semana. Glicemia= 220 mg/dL, bicarbonato= 18 mEq/L, anion gap= 20 mEq/L, pH= 7,21. A CLASSE FARMACOLÓGICA COM POTENCIAL PARA DESENCADEAR O QUADRO CLÍNICO É:

Alternativas

  1. A) Inibidores de SGLT2.
  2. B) Análogos do GLP-1.
  3. C) Inibidores das alfaglicosidases.
  4. D) Inibidores da dipeptidilpeptidase 4.

Pérola Clínica

Inibidores de SGLT2 → risco de cetoacidose diabética euglicêmica, mesmo com glicemia não tão alta.

Resumo-Chave

Os inibidores de SGLT2, como a empagliflozina, podem desencadear cetoacidose diabética euglicêmica, uma condição grave caracterizada por acidose metabólica com anion gap elevado, mesmo com níveis de glicemia moderadamente elevados ou normais, devido ao aumento da cetogênese.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. Tradicionalmente, a CAD é associada a níveis de glicemia muito elevados (> 250 mg/dL). No entanto, uma forma atípica, a cetoacidose diabética euglicêmica (CADE), tem ganhado destaque, especialmente com o uso de novas classes de medicamentos. Os inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2), como empagliflozina, dapagliflozina e canagliflozina, são fármacos eficazes no tratamento do diabetes mellitus tipo 2, atuando ao promover a glicosúria. Contudo, um efeito adverso reconhecido é o risco de desencadear CADE. Nesses casos, o paciente apresenta acidose metabólica com anion gap elevado e cetonemia, mas com níveis de glicemia que podem ser normais ou apenas moderadamente elevados (geralmente < 250 mg/dL), como visto no enunciado (glicemia = 220 mg/dL). O mecanismo envolve o aumento da excreção de glicose, que pode levar a uma redução da insulina e aumento do glucagon, promovendo a lipólise e a cetogênese. Isso ocorre porque o corpo, apesar de ter glicose, 'percebe' uma deficiência intracelular de glicose e muda para o metabolismo de gorduras, produzindo corpos cetônicos. É crucial que médicos e residentes estejam cientes dessa complicação para um diagnóstico e manejo precoces, especialmente em pacientes com DM2 em uso de inibidores de SGLT2 que apresentem sintomas como vômitos, sonolência e acidose metabólica.

Perguntas Frequentes

O que é cetoacidose diabética euglicêmica?

É uma forma de cetoacidose diabética caracterizada por acidose metabólica (pH < 7,3, bicarbonato < 18 mEq/L) e cetonemia significativa, mas com níveis de glicemia < 250 mg/dL, diferentemente da cetoacidose clássica.

Como os inibidores de SGLT2 podem causar cetoacidose euglicêmica?

Os inibidores de SGLT2 aumentam a excreção urinária de glicose, o que pode levar a uma redução da insulina e aumento do glucagon, promovendo a lipólise e a cetogênese. Isso ocorre mesmo com glicemia mais baixa, pois o corpo 'acredita' estar em estado de privação de glicose.

Quais são os principais achados laboratoriais na cetoacidose diabética euglicêmica?

Os achados incluem acidose metabólica com anion gap elevado (pH baixo, bicarbonato baixo, anion gap > 12 mEq/L), cetonúria/cetonemia e glicemia que pode ser normal ou apenas moderadamente elevada (< 250 mg/dL).

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