Cetoacidose Diabética: Manejo Inicial e Prioridades

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 32 anos deu entrada no pronto socorro com poliúria, confusão mental e perda ponderal. Ao exame físico apresentava-se torporoso, hipocorado, com níveis pressóricos de 112/55 mmHg, frequência cardíaca de 93 bpm, temperatura axilar de 36,8°C, ausculta cardíaca e respiratória sem alterações, sem dor ou visceromegalias à palpação abdominal, sem déficit neurológico focal. Os exames laboratoriais evidenciaram hemácias: 4,8 milhões/mm³, hemoglobina: 16,9 g/dL, hematócrito: 55%, leucócitos: 8920/mm³, plaquetas: 288.000/mm³, glicose: 822 mg/dL, sódio: 158 mmol/L, potássio: 3,8 mmol/L, magnésio: 2,1 mg/dL, uréia: 56 mg/dL, creatinina: 1,0 mg/dL; gasometria de sangue venoso: pH: 7,09, pCO₂: 47 mmHg, pO₂: 36 mmHg, bicarbonato: 18 meq/L; exame de urina: pH: 5,2, densidade: 1,045, glicose: ++++, proteínas: +, cetonas: ++++, bilirrubina: negativo, urobilinogênio: negativo, leucócitos: +, nitrito: negativo. Neste momento devem ser prescritos para este paciente

Alternativas

  1. A) Cloreto de sódio a 0,9% e cloreto de potássio a 10%.
  2. B) Cloreto de sódio a 0,45%, cloreto de potássio a 10%, insulina regular.
  3. C) Cloreto de sódio a 0,9%, cloreto de potássio a 10%, insulina regular, bicarbonato de sódio a 8,4%.
  4. D) Cloreto de sódio a 0,45%, cloreto de potássio a 10%, insulina regular, bicarbonato de sódio a 5%.

Pérola Clínica

DKA grave: priorizar hidratação com SF 0,9% e correção de K antes ou concomitantemente à insulina.

Resumo-Chave

Em cetoacidose diabética grave, a reposição volêmica com soro fisiológico 0,9% é a primeira medida para restaurar a perfusão e corrigir a hiperosmolaridade. A correção do potássio é essencial para prevenir hipocalemia induzida pela insulina, que deve ser iniciada logo após.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (DKA) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. É uma emergência médica que requer manejo rápido e eficaz para prevenir morbidade e mortalidade significativas. A DKA é mais comum no diabetes tipo 1, mas pode ocorrer no tipo 2 sob estresse fisiológico. O diagnóstico da DKA baseia-se na tríade de hiperglicemia (>250 mg/dL), acidose metabólica (pH <7.3, bicarbonato <18 mEq/L) e cetonemia/cetonúria. O paciente do caso apresenta todos esses critérios, além de desidratação e alteração do nível de consciência. A fisiopatologia envolve deficiência de insulina e aumento de hormônios contrarreguladores, levando à gliconeogênese, glicogenólise, lipólise e cetogênese. O tratamento inicial da DKA prioriza a reposição volêmica com soro fisiológico 0,9% para corrigir a desidratação e melhorar a perfusão. A correção dos eletrólitos, especialmente o potássio, é crucial, pois a insulinoterapia pode precipitar hipocalemia grave. A insulina regular intravenosa é iniciada após a estabilização hemodinâmica e correção inicial do potássio. O bicarbonato de sódio é reservado para casos de acidose muito grave (pH <6.9) devido aos riscos associados.

Perguntas Frequentes

Quais são os primeiros passos no tratamento da cetoacidose diabética?

Os primeiros passos incluem hidratação agressiva com soro fisiológico 0,9% para corrigir a desidratação, correção de eletrólitos (especialmente potássio) e, em seguida, início da insulinoterapia.

Por que o soro fisiológico 0,9% é a escolha inicial na DKA?

O soro fisiológico 0,9% é isotônico e ajuda a expandir o volume intravascular, corrigir a desidratação e melhorar a perfusão renal, facilitando a excreção de glicose e cetonas.

Quando o potássio deve ser reposto na cetoacidose diabética?

O potássio deve ser reposto se os níveis séricos estiverem abaixo de 5,3 mEq/L, mesmo que normais, pois a insulinoterapia pode causar um rápido influxo de potássio para as células, levando à hipocalemia.

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