INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011
Uma criança de sexo feminino, com quatro anos de idade, é atendida no Pronto Atendimento com queixa de poliúria, polidipsia e emagrecimento nos últimos dois meses. Apesar de ter havido um atendimento anterior por esta queixa, não houve uma definição diagnóstica. A mãe decidiu retornar ao serviço porque nos últimos dois dias, a criança começou a apresentar sonolência, acompanhada de febre (dois picos de 38,6°C), vômitos, fadiga, sinais de desidratação e taquipneia. Imediatamente, você decidiu encaminhar a paciente para um Serviço de Emergência, devido à hipótese diagnóstica de cetoacidose diabética. A decisão de encaminhamento imediato foi determinada:
Hipotensão na CAD pediátrica = Sinal tardio e grave de choque descompensado.
O encaminhamento imediato na CAD visa a reposição volêmica e controle glicêmico; a hipotensão é rara em crianças devido à forte compensação adrenérgica.
A Cetoacidose Diabética (CAD) é frequentemente a manifestação inicial do Diabetes Mellitus Tipo 1 em crianças. A fisiopatologia envolve a deficiência absoluta de insulina associada ao aumento de hormônios contrarreguladores, levando à hiperglicemia, diurese osmótica e produção de corpos cetônicos que geram acidose metabólica. O manejo clínico exige monitorização rigorosa em ambiente de terapia intensiva ou emergência. A estabilização hemodinâmica precede a insulinoterapia, que deve ser iniciada apenas após a expansão volêmica inicial para evitar colapso vascular e quedas bruscas na osmolaridade plasmática.
Crianças possuem mecanismos compensatórios cardiovasculares muito eficientes, mantendo a pressão arterial normal mesmo com perdas volêmicas significativas (até 25-30%). Quando a hipotensão ocorre, indica que os mecanismos falharam e o choque está em fase descompensada, sendo um sinal de extrema gravidade.
A tríade clássica inclui poliúria, polidipsia e perda de peso. Em estágios avançados (cetoacidose), surgem vômitos, dor abdominal (simulando abdome agudo), respiração de Kussmaul (taquipneia profunda), hálito cetônico e alteração do nível de consciência.
O objetivo inicial é restaurar o volume circulante e melhorar a perfusão tecidual. No entanto, em pediatria, a reposição deve ser cautelosa e gradual para minimizar o risco de edema cerebral, a complicação mais temida e principal causa de mortalidade na CAD infantil.
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