Cetoacidose Diabética Pediátrica: Diagnóstico Essencial

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Pré adolescente apresentando dor abdominal difusa importante, iniciada há 1 dia. Durante avaliação médica foi observado sinais de desidratação e taquicardia. Pai refere que paciente não tem comorbidades, porém vem observando perda de peso, aumento da ingestão diária de alimentos e água, além de estar acordando mais vezes para urinar durante a noite. Qual das opções abaixo é essencial para o diagnóstico do quadro?

Alternativas

  1. A) Ultrassonografia de abdome.
  2. B) Glicemia e gasometria.
  3. C) Hemograma completo.
  4. D) Amilase e lipase.

Pérola Clínica

Pré-adolescente com dor abdominal, desidratação, polidipsia/poliúria/polifagia → Suspeitar CAD. Essencial: Glicemia e Gasometria.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor abdominal, desidratação, taquicardia, associado a sintomas clássicos de diabetes (polidipsia, poliúria, polifagia, perda de peso) em um pré-adolescente, é altamente sugestivo de cetoacidose diabética (CAD). A glicemia confirmará a hiperglicemia e a gasometria revelará a acidose metabólica, ambos cruciais para o diagnóstico e manejo.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, mais comum em crianças e adolescentes com diabetes tipo 1, e frequentemente é a primeira manifestação da doença. Caracteriza-se por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria. A epidemiologia mostra que a CAD é a principal causa de morbidade e mortalidade em crianças com diabetes, sendo crucial o reconhecimento precoce. A fisiopatologia envolve a deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à hiperglicemia e à ativação de vias metabólicas alternativas, como a lipólise, que gera corpos cetônicos. Estes, por sua vez, causam acidose metabólica. Clinicamente, os pacientes apresentam os sintomas clássicos de diabetes (polidipsia, poliúria, polifagia, perda de peso) e, na CAD, adicionam-se sintomas como dor abdominal (que pode mimetizar um abdome agudo), náuseas, vômitos, desidratação, taquicardia e respiração de Kussmaul. A suspeita deve ser alta em qualquer criança com dor abdominal e sintomas de diabetes. O diagnóstico é confirmado pela dosagem da glicemia (geralmente >200 mg/dL) e pela gasometria arterial ou venosa, que revelará acidose metabólica (pH < 7,3 e bicarbonato < 15 mEq/L). A presença de corpos cetônicos na urina ou no sangue também é um critério. O tratamento envolve hidratação venosa cuidadosa, insulinoterapia e correção dos distúrbios eletrolíticos, com monitoramento rigoroso para evitar complicações como edema cerebral. Para residentes, a capacidade de diagnosticar e iniciar o manejo da CAD é uma habilidade essencial na emergência pediátrica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da cetoacidose diabética em crianças?

Os sintomas incluem polidipsia (sede excessiva), poliúria (urinar muito), polifagia (fome excessiva), perda de peso, dor abdominal, náuseas, vômitos e respiração de Kussmaul.

Por que a glicemia e a gasometria são essenciais para o diagnóstico de CAD?

A glicemia confirma a hiperglicemia (>200 mg/dL), enquanto a gasometria revela a acidose metabólica (pH < 7,3 e bicarbonato < 15 mEq/L) e a presença de cetonemia/cetonúria, critérios diagnósticos da CAD.

Como diferenciar a dor abdominal da CAD de outras causas cirúrgicas?

A dor abdominal na CAD geralmente é difusa e não localizada, acompanhada de outros sintomas de diabetes e acidose. A ausência de sinais de peritonite e a melhora com a correção metabólica ajudam a diferenciar.

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