FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2023
Criança de 5 anos estava com dificuldade em ser despertada e, quando acordou, apresentou dor periumbilical intensa e vômitos. Havia usado aspirina e paracetamol, sem melhoras. Segundo o pai, a criança não tinha antecedentes mórbidos, mas havia perdido 3kg no último mês. Na admissão no pronto-socorro, estava afebril, taquipneica e desidratada grave. Seus exames complementares iniciais mostraram radiografia de abdome agudo normal, hemoglobina de 13g/dl, leucócitos de 21.300/mm³ e plaquetas de 201.000/mm3, provas de função renal normais e acidose metabólica na gasometria arterial. O mais provável diagnóstico para este caso clínico é:
Criança com dor abdominal, vômitos, taquipneia (Kussmaul), desidratação e acidose metabólica → suspeitar de Cetoacidose Diabética.
O quadro clínico de dor abdominal intensa, vômitos, taquipneia (respiração de Kussmaul), desidratação grave e acidose metabólica em uma criança, especialmente com histórico de perda de peso, é altamente sugestivo de cetoacidose diabética (CAD). A CAD é uma complicação grave do diabetes mellitus tipo 1, frequentemente a primeira manifestação da doença em crianças.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda e grave do diabetes mellitus, sendo a principal causa de morbimortalidade em crianças com diabetes tipo 1. Frequentemente, a CAD é a primeira manifestação do diabetes tipo 1 em pacientes pediátricos, o que torna seu reconhecimento precoce fundamental para evitar desfechos adversos. A incidência de diabetes tipo 1 tem aumentado globalmente, e a CAD continua sendo um desafio diagnóstico e terapêutico. A fisiopatologia da CAD envolve a deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à hiperglicemia, glicosúria e desidratação. A falta de insulina também promove a lipólise e a produção excessiva de corpos cetônicos, resultando em acidose metabólica. O quadro clínico é caracterizado por sintomas como poliúria, polidipsia, polifagia, perda de peso, fadiga, dor abdominal, náuseas e vômitos. A taquipneia, conhecida como respiração de Kussmaul, é um mecanismo compensatório para a acidose metabólica. O diagnóstico da CAD é baseado na tríade de hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria. O tratamento envolve hidratação venosa cuidadosa, insulinoterapia e correção dos distúrbios eletrolíticos. É crucial diferenciar a dor abdominal da CAD de outras causas de abdome agudo, pois o manejo é completamente distinto. A suspeita clínica em crianças com os sintomas descritos, especialmente com perda de peso recente, deve levar à investigação imediata de glicemia e gasometria.
Os sinais e sintomas incluem poliúria, polidipsia, polifagia, perda de peso, dor abdominal, náuseas, vômitos, desidratação, taquipneia (respiração de Kussmaul) e hálito cetônico.
Na CAD, a dor abdominal geralmente é difusa e acompanhada de taquipneia (Kussmaul), desidratação e acidose metabólica. Em um abdome agudo cirúrgico, a dor tende a ser mais localizada, e os achados laboratoriais e gasométricos são diferentes.
A acidose metabólica, com ânion gap elevado, é um achado laboratorial central na CAD, resultante do acúmulo de corpos cetônicos, e sua presença é crucial para confirmar o diagnóstico.
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