Cetoacidose Diabética Pediátrica: Manejo Inicial Essencial

HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2022

Enunciado

Considere que um paciente de sete anos de idade, sexo feminino, com queixa de dor abdominal e vômitos, relata que vem apresentando polidipsia, polifagia e aumento da diurese há duas semanas. Está desidratada, com hálito cetônico e quadro de hiperpneia. Glicemiacapilar = 350 mg/dL. Nese caso, qual é o tratamento inicial dessa paciente?

Alternativas

  1. A) Deve ser prescrito hidratação venosa, com soro glicosado a 5%.
  2. B) Deve ser prescrito insulina regular venosa para redução da glicemia até valores abaixo de 100 – 80 mg/dL.
  3. C) Deve ser feito monitoramento de íons e restauração do equilíbrio hidroeletrolítico em 24 – 36 horas.
  4. D) Deve ser prescrito, imediatamente, bicarbonato para correção da acidose.

Pérola Clínica

Criança com polidipsia, poliúria, polifagia, dor abdominal, vômitos, hálito cetônico e hiperpneia → Cetoacidose Diabética (CAD). Iniciar com hidratação e correção eletrolítica gradual.

Resumo-Chave

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação grave do diabetes tipo 1 em crianças. O tratamento inicial foca na hidratação venosa cuidadosa e na restauração gradual do equilíbrio hidroeletrolítico, monitorando íons como potássio. A insulina é iniciada após a hidratação e o bicarbonato é raramente indicado, para evitar complicações como edema cerebral.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda e grave do diabetes mellitus, mais frequentemente do tipo 1, que ocorre quando há deficiência absoluta ou relativa de insulina. É uma das principais causas de morbimortalidade em crianças com diabetes e frequentemente a apresentação inicial da doença em pacientes pediátricos. A CAD é caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria.A fisiopatologia da CAD envolve a deficiência de insulina, que leva à gliconeogênese e glicogenólise hepática descontroladas, resultando em hiperglicemia. A ausência de insulina também impede a captação de glicose pelas células e promove a lipólise, liberando ácidos graxos livres que são convertidos em corpos cetônicos no fígado, causando acidose metabólica. Os sintomas clássicos de polidipsia, poliúria e polifagia são decorrentes da hiperglicemia e da desidratação. O diagnóstico é confirmado por glicemia > 200 mg/dL, pH < 7,3 e bicarbonato < 15 mEq/L, além de cetonúria/cetonemia.O tratamento inicial da CAD é uma emergência e deve ser realizado em ambiente hospitalar. Consiste em hidratação venosa cuidadosa com soro fisiológico 0,9%, seguida por soro com glicose quando a glicemia atingir valores entre 200-250 mg/dL. O monitoramento rigoroso dos eletrólitos, especialmente o potássio, é crucial, pois a hipocalemia é uma complicação comum. A insulina regular é administrada por via intravenosa em infusão contínua, mas somente após o início da hidratação e correção de hipocalemia. A redução da glicemia e da acidose deve ser gradual para evitar o edema cerebral, a complicação mais temida. O bicarbonato é raramente indicado. O prognóstico é bom com manejo adequado, mas o reconhecimento precoce e a intervenção correta são vitais.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da cetoacidose diabética em crianças?

Os sinais e sintomas incluem polidipsia (sede excessiva), poliúria (aumento da diurese), polifagia (fome excessiva), perda de peso, dor abdominal, náuseas e vômitos. Em casos mais graves, hálito cetônico, respiração de Kussmaul (hiperpneia profunda e rápida) e alteração do nível de consciência podem estar presentes.

Qual a importância da hidratação venosa no tratamento da CAD?

A hidratação venosa é a primeira e mais importante etapa do tratamento da CAD. Ela visa restaurar o volume intravascular, corrigir a desidratação e melhorar a perfusão tecidual. Deve ser feita de forma gradual para evitar a queda rápida da osmolalidade plasmática, que pode precipitar o edema cerebral.

Por que o bicarbonato não é recomendado rotineiramente na CAD?

O bicarbonato não é recomendado rotineiramente porque sua administração rápida pode piorar a acidose intracelular do sistema nervoso central, aumentar o risco de edema cerebral e causar hipocalemia. Sua indicação é restrita a casos de acidose grave com instabilidade hemodinâmica, e mesmo assim, com muita cautela.

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