HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2021
Menino, 5 anos de idade, previamente hígido, trazido ao serviço de emergência por seus pais com queixa, há 2 dias, de dor abdominal e vômitos. Houve piora importante dos vômitos nas últimas 6 horas, com prostração e diminuição de diurese. Mãe refere que nos últimos 3 meses a criança tem apresentado enurese, o que não fazia há um ano e que, apesar de estar se alimentando melhor, não está ganhando peso, de acordo com pediatra da Unidade Básica de Saúde. Nega outras alterações gastrointestinais. Ao exame clínico: desidratado 2+/4+, sonolento, taquipneico, sem alteração em ausculta pulmonar e cardíaca, com frequência cardíaca = 140 batimentos/minuto, pulsos periféricos fracos, centrais cheios, pressão arterial = 87 x 64 mmHg, perfusão periférica = 4 segundos. Abdome plano, RHA+, sem sinais de peritonismo. Paciente foi encaminhado para sala de emergência, sendo coletados exames gerais, cuja gasometria venosa completa apresentava: pH 7,2; pCO2 = 40 mmHg; pO₂ = 89 mmHg; BIC = 12 mEq/L; BE = -3,0; K = 3,5. Glicemia capilar = 380 e cetonúria 3+. Considerando o caso acima, assinale a alternativa correta em relação à meta de tratamento:
CAD pediátrica: Correção gradual da acidose metabólica (meta em 12-24h). Evitar correção rápida de glicemia/acidose para prevenir edema cerebral.
A Cetoacidose Diabética (CAD) em crianças exige correção gradual da acidose metabólica e da hiperglicemia, visando a resolução completa em 12-24 horas. A correção rápida, especialmente da glicemia ou com bicarbonato, aumenta o risco de edema cerebral, a complicação mais grave do tratamento.
A Cetoacidose Diabética (CAD) é uma complicação grave do diabetes mellitus, mais comum no diabetes tipo 1, e representa uma emergência pediátrica. É caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria, resultantes da deficiência absoluta ou relativa de insulina. O caso clínico descreve um menino de 5 anos com sintomas clássicos de CAD, como dor abdominal, vômitos, desidratação, taquipneia, sonolência, além de sinais de diabetes não diagnosticado previamente, como enurese e perda de peso. O manejo da CAD em crianças é complexo e visa a correção gradual dos distúrbios metabólicos para prevenir a complicação mais temida: o edema cerebral. A gasometria venosa revela acidose metabólica grave (pH 7.2, BIC 12, BE -3.0), hiperglicemia (380) e cetonúria 3+. As metas de tratamento incluem a hidratação cuidadosa, a administração de insulina intravenosa em infusão contínua e a monitorização rigorosa dos eletrólitos e da glicemia. É fundamental evitar a correção rápida da glicemia e da acidose. A normoglicemia não é uma meta nas primeiras horas, e a acidose metabólica deve ser corrigida gradualmente, geralmente resolvendo-se em 12 a 24 horas. O uso de bicarbonato de sódio é desaconselhado na maioria dos casos, pois pode piorar o edema cerebral e causar hipocalemia. Portanto, a alternativa correta é a correção da acidose metabólica até a 12ª hora do tratamento, refletindo a abordagem gradual e segura necessária para o manejo da CAD pediátrica.
Os sinais e sintomas incluem dor abdominal, vômitos, desidratação, taquipneia (respiração de Kussmaul), sonolência, hálito cetônico, poliúria, polidipsia e enurese secundária. Laboratorialmente, há hiperglicemia, acidose metabólica e cetonúria/cetonemia.
A correção gradual da acidose é crucial para evitar o edema cerebral. A rápida administração de fluidos e insulina pode levar a uma queda abrupta da glicemia e um aumento rápido do pH, criando um gradiente osmótico que favorece o movimento de água para o cérebro.
O bicarbonato de sódio raramente é indicado na CAD pediátrica. Sua utilização é restrita a casos de acidose metabólica extremamente grave (pH < 6.9 ou 7.0) com instabilidade hemodinâmica, e mesmo assim, com extrema cautela devido ao risco de edema cerebral e hipocalemia.
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