HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2023
Paciente masculino, 23 anos, 70kg; deu entrada no Pronto Socorro referindo dor abdominal com início há 5 horas, apresentando náuseas e vômitos associados. Nega febre. Nega disúria. Nega sintomas respiratórios. Nega sintomas gastrointestinais. Diabetes tipo 1 diagnosticado há 5 anos, em uso de insulina glargina 30UI pela manhã irregularmente. REG, orientado, anictérico, normocorado, desidratado, dados vitais estáveis, exame físico com crepitação, frêmito toracovocal aumentado e percussão submaciça em região subescapular direita. Laboratório de admissão: Glicemia 490 / Potássio sérico 3,4 / Sódio sérico 138 / Ureia sérica 55 / Gasometria arterial: pH 7,02 / Bicarbonato 8 / BE - 21,70 / Cloretos 96 / Lactato 4,49. Assinale a alternativa correta: (MAXINE A. PAPADAKIS, STEPHEN J. MCPHEE, CURRENT MEDICAL DIAGNOSIS AND TREATMENT, CHAPTER 27 - 2022)
CAD: AG = Na - (Cl + HCO3). Meta de tratamento: AG < 15 mEq/L e HCO3 > 15 mEq/L.
O paciente apresenta Cetoacidose Diabética (CAD) grave, com acidose metabólica de ânion-gap elevado. O cálculo do ânion-gap (Na - (Cl + HCO3)) é crucial para monitorar a resolução da CAD, sendo a meta terapêutica reduzir o AG para valores normais (<15 mEq/L) e o bicarbonato para >15 mEq/L, juntamente com a glicemia <200 mg/dL.
A Cetoacidose Diabética (CAD) é uma complicação grave e potencialmente fatal do diabetes mellitus, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. É mais comum em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 1, frequentemente precipitada por infecções, omissão de insulina ou outras situações de estresse. O reconhecimento precoce e o manejo agressivo são cruciais para a sobrevida do paciente, sendo um tema de grande relevância para residentes de clínica médica, emergência e endocrinologia. O diagnóstico da CAD baseia-se na tríade de hiperglicemia (geralmente > 250 mg/dL), acidose metabólica (pH < 7.3, bicarbonato < 18 mEq/L) e cetonemia/cetonúria. A acidose é tipicamente de ânion-gap elevado, resultado do acúmulo de cetoácidos (beta-hidroxibutirato e acetoacetato). O cálculo do ânion-gap (Na - (Cl + HCO3)) é essencial para confirmar o tipo de acidose e monitorar a resposta ao tratamento, com a meta de resolução da CAD sendo um ânion-gap < 15 mEq/L, bicarbonato > 15 mEq/L e glicemia < 200 mg/dL. O tratamento da CAD envolve três pilares principais: hidratação intravenosa (geralmente com soro fisiológico 0,9%), insulinoterapia intravenosa (insulina regular) e reposição de eletrólitos, principalmente potássio. A reposição de potássio é crítica e deve ser cuidadosamente monitorada, pois a insulina desloca o potássio para o intracelular, podendo causar hipocalemia grave. A insulina glargina, uma insulina basal, é fundamental para o controle crônico do DM1 e deve ser reintroduzida ou ajustada após a resolução da fase aguda, não sendo contraindicada por descompensação prévia.
O ânion-gap (AG) é calculado pela fórmula Na+ - (Cl- + HCO3-). Na Cetoacidose Diabética, o AG está elevado devido ao acúmulo de cetoácidos. Monitorar a redução do AG é fundamental para avaliar a resposta ao tratamento e a resolução da acidose metabólica, sendo a meta um AG < 15 mEq/L.
A conduta inicial envolve hidratação vigorosa com solução salina isotônica para corrigir a desidratação e melhorar a perfusão renal, seguida pela administração de insulina regular intravenosa para suprimir a cetogênese e reduzir a glicemia. A reposição de potássio é crucial e deve ser iniciada conforme os níveis séricos.
A reposição de potássio deve ser iniciada antes da insulina se o potássio sérico for < 3.3 mEq/L. Se o potássio estiver entre 3.3 e 5.2 mEq/L, a reposição deve ser iniciada concomitantemente com a insulina. Se > 5.2 mEq/L, a reposição é adiada, mas o potássio deve ser monitorado de perto.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo