Cetoacidose Diabética: Manejo da Hiperglicemia e Potássio

UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2020

Enunciado

Foi encaminhado ao pronto atendimento, após ser encontrado desacordado no seu quarto, paciente de 16 anos, sexo masculino, portador de diabetes mellitus tipo 1 recém descoberto, ainda em ajuste das doses de insulina. Segundo a mãe, o paciente não aceita o diagnóstico da doença e faz uso irregular da insulina prescrita. Ao exame físico encontrava-se desidratado, PA de 100/60 mmHg, letárgico e com pele fria. A glicemia capilar solicitada apresentou resultado acentuadamente elevada (""high""). Sobre o caso descrito acima pode-se afirmar que:

Alternativas

  1. A) deve-se corrigir a hiperglicemia sem descuidar dos níveis séricos de potássio.
  2. B) a restrição hídrica é fundamental no manejo inicial desses casos.
  3. C) não se deve utilizar solução com glicose em nenhuma etapa do tratamento.
  4. D) é necessário reintroduzir imediatamente a insulina de uso domiciliar do paciente.

Pérola Clínica

Cetoacidose Diabética: corrigir hiperglicemia com insulina, mas monitorar e repor potássio para evitar hipocalemia.

Resumo-Chave

O paciente apresenta quadro sugestivo de cetoacidose diabética (CAD), uma complicação grave do DM1. A correção da hiperglicemia com insulina é crucial, mas a insulina leva o potássio para dentro da célula, podendo exacerbar uma hipocalemia pré-existente ou induzi-la. Portanto, a monitorização e reposição de potássio são fundamentais para evitar arritmias cardíacas e outras complicações.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, mais comum no tipo 1, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. É uma emergência médica que exige reconhecimento e tratamento imediatos, sendo uma das principais causas de internação e morbimortalidade em pacientes diabéticos, especialmente adolescentes com adesão irregular ao tratamento. A fisiopatologia envolve deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à gliconeogênese, glicogenólise e lipólise descontroladas. A lipólise gera ácidos graxos livres que são convertidos em corpos cetônicos, causando acidose metabólica. O diagnóstico é clínico (polidipsia, poliúria, náuseas, vômitos, dor abdominal, hálito cetônico, letargia) e laboratorial (glicemia > 250 mg/dL, pH < 7,3, bicarbonato < 18 mEq/L, cetonas positivas). O manejo inicial da CAD envolve hidratação venosa agressiva com soro fisiológico para corrigir a desidratação e a hiperosmolaridade, insulinoterapia intravenosa contínua para suprimir a cetogênese e reduzir a glicemia, e reposição de eletrólitos. A monitorização do potássio sérico é crucial, pois a insulinoterapia e a correção da acidose podem levar a uma hipocalemia grave, exigindo reposição antes mesmo que o potássio sérico caia abaixo do normal, se o nível inicial for baixo ou normal-baixo.

Perguntas Frequentes

Quais são os pilares do tratamento inicial da cetoacidose diabética?

Os pilares são hidratação vigorosa com soro fisiológico, insulinoterapia intravenosa contínua e reposição de eletrólitos, especialmente potássio, para corrigir a desidratação, hiperglicemia e acidose.

Por que o potássio é tão importante no manejo da cetoacidose diabética?

Embora o potássio sérico possa estar normal ou elevado inicialmente, a insulinoterapia e a correção da acidose levam o potássio para o intracelular, podendo causar hipocalemia grave e arritmias cardíacas fatais.

Quando se deve iniciar a infusão de glicose no tratamento da CAD?

A infusão de glicose (geralmente SG 5%) deve ser iniciada quando a glicemia atingir cerca de 200-250 mg/dL, para evitar hipoglicemia e permitir a continuação da insulinoterapia até a resolução da acidose.

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