Cetoacidose Diabética: Manejo da Hipocalemia e Insulinoterapia

HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2023

Enunciado

CPB, sexo feminino, 25 anos, foi levada ao pronto-socorro pelo pai com dor abdominal há dois dias e hoje iniciou quadro de rebaixamento do nível de consciência, associado à respiração rápida e profunda. Ao exame físico: REG, desidratada (3+/4+), taquidispneica (ritmo de Kusmaul), Glasgow 14. Exames laboratoriais: hemograma com leucocitose, dextro: 460 mg/dL, pH sérico: 7,18, HCO3: 8 mEq/L, Na: 142 mEq/L K: 3,2 mEq/L. Após iniciar hidratação endovenosa, o próximo passo será:

Alternativas

  1. A) Iniciar reposição endovenosa de potássio antes da insulinoterapia, por risco de arritmias.
  2. B) Corrigir importante acidose metabólica do paciente com infusão de bicarbonato de sódio.
  3. C) Iniciar insulinoterapia endovenosa com NPH.
  4. D) Prescrever solução salina hipotônica de NaCl 0,45%, 10 a 14 mL/kg/h.

Pérola Clínica

CAD com hipocalemia (<5,3 mEq/L) → Repor K+ antes da insulina para evitar arritmias.

Resumo-Chave

Em cetoacidose diabética (CAD), a hipocalemia é comum e pode ser agravada pela insulinoterapia, que promove a entrada de potássio para o intracelular. Se o potássio sérico estiver baixo ou no limite inferior da normalidade (<5,3 mEq/L), a reposição de potássio deve ser iniciada antes ou concomitantemente com a insulina para prevenir arritmias cardíacas graves.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. O manejo inicial envolve hidratação vigorosa com solução salina isotônica para corrigir a desidratação e restaurar a perfusão tecidual. A avaliação dos eletrólitos, especialmente o potássio, é crítica antes de iniciar a insulinoterapia. A fisiopatologia da CAD envolve a deficiência de insulina, que leva à gliconeogênese, glicogenólise e lipólise, resultando em hiperglicemia e produção de corpos cetônicos. A acidose metabólica resultante e a diurese osmótica contribuem para a desidratação e desequilíbrios eletrolíticos. O diagnóstico é feito pela tríade de hiperglicemia (>250 mg/dL), pH sérico <7,3 e bicarbonato <18 mEq/L, com cetonas presentes. Após a hidratação, o próximo passo crucial é a correção dos distúrbios eletrolíticos e a administração de insulina. Se o potássio sérico estiver abaixo de 5,3 mEq/L, a reposição de potássio deve ser iniciada antes ou concomitantemente com a insulina para prevenir hipocalemia grave e arritmias cardíacas, uma vez que a insulina promove a entrada de potássio nas células. O manejo adequado da CAD exige monitoramento contínuo e ajustes terapêuticos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos da cetoacidose diabética?

Os critérios diagnósticos da CAD incluem hiperglicemia (>250 mg/dL), acidose metabólica (pH <7,3 e HCO3 <18 mEq/L) e presença de cetonas no sangue ou urina.

Por que a reposição de potássio é crucial na cetoacidose diabética?

A reposição de potássio é crucial porque a acidose e a desidratação podem levar à depleção de potássio, e a insulinoterapia subsequente desloca o potássio para o intracelular, podendo causar hipocalemia grave e arritmias cardíacas.

Quando se deve iniciar a insulinoterapia na CAD?

A insulinoterapia deve ser iniciada após a hidratação inicial e, se o potássio sérico for <5,3 mEq/L, após o início da reposição de potássio. A insulina deve ser administrada por via endovenosa em bomba de infusão contínua.

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