HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2021
Criança de 5 anos estava com dificuldade em ser despertada e, quando acordou, apresentou dor periumbilical intensa e vômitos. Havia usado aspirina e paracetamol, sem melhoras. Segundo o pai, a criança não tinha antecedentes mórbidos, mas havia perdido 3 kg no último mês. Na admissão no pronto-socorro, estava afebril, taquipneica e desidratada grave. Seus exames complementares iniciais mostraram radiografia de abdome agudo normal, hemoglobina de 13g/dl, leucócitos de 21.300/mm³ e plaquetas de 201.000/mm³, provas de função renal normais e acidose metabólica na gasometria arterial. O mais provável diagnóstico para este caso clínico é:
Criança com alteração consciência, dor abdominal, vômitos, taquipneia, desidratação + perda peso + acidose metabólica → Cetoacidose Diabética.
A Cetoacidose Diabética (CAD) em crianças pode se apresentar com sintomas inespecíficos como dor abdominal, vômitos e alteração do nível de consciência, mimetizando um abdome agudo. A presença de taquipneia (respiração de Kussmaul), desidratação grave, perda de peso recente e acidose metabólica na gasometria são achados chave que apontam para CAD.
A Cetoacidose Diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do Diabetes Mellitus, mais comumente do tipo 1, e representa uma emergência pediátrica. Em crianças, a CAD pode ser a primeira manifestação do diabetes, e seus sintomas podem ser atípicos, dificultando o diagnóstico inicial. A tríade clássica de poliúria, polidipsia e perda de peso, quando presente, deve levantar a suspeita de diabetes, mas a CAD pode se manifestar com sintomas mais agressores como dor abdominal intensa, vômitos e alteração do nível de consciência. O quadro clínico de taquipneia (respiração de Kussmaul, um mecanismo compensatório para a acidose metabólica), desidratação grave e letargia, associado à perda de peso recente, são marcadores importantes de CAD. A acidose metabólica, confirmada pela gasometria arterial, é o achado laboratorial chave. É crucial diferenciar a dor abdominal da CAD de um abdome agudo cirúrgico, pois a intervenção cirúrgica desnecessária pode piorar o prognóstico. O manejo da CAD envolve hidratação venosa cuidadosa, insulinoterapia e correção dos distúrbios eletrolíticos. Para residentes, o reconhecimento precoce da CAD e a diferenciação de outras condições são habilidades vitais, pois o atraso no tratamento pode levar a complicações graves, incluindo edema cerebral, que é a principal causa de mortalidade na CAD pediátrica.
Os sinais e sintomas incluem polidipsia, poliúria, polifagia, perda de peso, dor abdominal, vômitos, desidratação, taquipneia (respiração de Kussmaul), hálito cetônico e alteração do nível de consciência, podendo progredir para coma.
A dor abdominal na CAD é multifatorial, podendo ser causada pela desidratação, distensão gástrica, acidose metabólica e eletrólitos alterados, mimetizando frequentemente um quadro de abdome agudo.
A gasometria arterial é fundamental para o diagnóstico de CAD, pois revela acidose metabólica (pH baixo, bicarbonato baixo) com ânion gap elevado, confirmando a presença de cetoácidos e a gravidade do quadro.
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