HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2022
Mulher, 19 anos, DM tipo 1 há 03 anos, vem ao PS com história de febre, polaciúria, poliúria e dor lombar há 2 dias. Ao Ex.físico: regular estado geral, desidratada ++/4+, febril, taquicárdica e acianótica. Ausculta cardíaca normal. FC: 124 bpm, FR: 28 mov/min. Dor à punho-percussão lombar direita. O residente de plantão decide solicitar uma gasometria arterial. Dos resultados obtidos abaixo, qual delas é mais compatível com o quadro clínico:
Cetoacidose Diabética (CAD) = Acidose metabólica grave com ânion gap elevado + compensação respiratória (hiperventilação, pCO2 baixo).
A cetoacidose diabética (CAD) é caracterizada por acidose metabólica com ânion gap elevado, resultando em pH baixo, HCO3 baixo e uma compensação respiratória com pCO2 baixo devido à hiperventilação. O quadro clínico de febre, desidratação e taquipneia em paciente com DM1 é altamente sugestivo de CAD precipitada por infecção.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, mais comum no tipo 1, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. É frequentemente precipitada por infecções, como a pielonefrite no caso apresentado, ou por omissão de insulina. A fisiopatologia envolve a deficiência de insulina, que leva à gliconeogênese e glicogenólise hepática descontroladas, resultando em hiperglicemia e diurese osmótica. A falta de insulina também desvia o metabolismo para a lipólise, com produção excessiva de corpos cetônicos, que são ácidos e causam a acidose metabólica. O diagnóstico é feito pela tríade de hiperglicemia, cetonemia/cetonúria e acidose metabólica. A gasometria arterial é fundamental para avaliar a gravidade da acidose e a presença de compensação respiratória. Pacientes com CAD apresentam pH baixo, bicarbonato baixo e, como mecanismo compensatório, hiperventilação que resulta em pCO2 baixo. O tratamento da CAD envolve reposição volêmica agressiva, insulinoterapia para reverter a cetoacidose e hiperglicemia, correção de eletrólitos (especialmente potássio) e identificação e tratamento do fator precipitante, como a infecção. O reconhecimento precoce dos sinais e a interpretação correta da gasometria são vitais para o manejo adequado e para evitar complicações graves.
Os critérios incluem hiperglicemia (>250 mg/dL), acidose metabólica (pH < 7,3 e HCO3 < 18 mEq/L) e presença de cetonas no sangue ou urina.
Infecções, como a pielonefrite, aumentam o estresse fisiológico e a liberação de hormônios contrarreguladores (cortisol, catecolaminas), que elevam a glicemia e a produção de corpos cetônicos, levando à CAD.
O ânion gap é tipicamente elevado na CAD devido ao acúmulo de cetoácidos (beta-hidroxibutirato e acetoacetato), que são ácidos não mensuráveis, indicando uma acidose metabólica com ânion gap elevado.
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