Cetoacidose Diabética: Manejo da Insulina e Hidratação na Emergência

HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2020

Enunciado

A cetoacidose diabética (CAD) é um conjunto de alterações clínico-laboratoriais decorrentes da insuficiente ação insulínica e do aumento da produção de hormônios contrarreguladores da insulina, em resposta a alguma situação de estresse. Sobre este assunto, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A reposição de insulina pode ser iniciada juntamente à fase de expansão ou na segunda hora do tratamento, após a expansão inicial.
  2. B) Recomenda-se a administração de insulina regular por via subcutânea.
  3. C) As principais causas de CAD são infecções (virais ou bacterianas) e falta de adesão ao tratamento, ocorrendo com mais frequência em indivíduos com diabetes mellitus tipo 2.
  4. D) A reposição de bicarbonato deve ser feita quando o pH for menor ou igual a 7,3.
  5. E) O valor da glicemia, como critério diagnóstico de cetoacidose diabética, deve ser maior que 600 mg/dl.

Pérola Clínica

CAD: Iniciar insulina IV após 1-2h de hidratação, ou junto à expansão se choque.

Resumo-Chave

No tratamento da cetoacidose diabética, a reposição de insulina deve ser iniciada após a fase inicial de expansão volêmica (1-2 horas), ou simultaneamente se houver choque ou hiperglicemia extrema. A prioridade inicial é a hidratação para restaurar a perfusão e reduzir a osmolaridade.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. Ela resulta de uma deficiência absoluta ou relativa de insulina, combinada com um aumento dos hormônios contrarreguladores (glucagon, cortisol, catecolaminas, hormônio do crescimento) em resposta a um estressor, como infecções, má adesão ao tratamento ou estresse físico/emocional. A CAD é mais comum em indivíduos com diabetes mellitus tipo 1, mas pode ocorrer no tipo 2 em situações específicas. O manejo da CAD é uma emergência médica que exige uma abordagem sistemática. A pedra angular do tratamento é a reposição volêmica agressiva com fluidos intravenosos (geralmente solução salina isotônica) para corrigir a desidratação e restaurar a perfusão tecidual. Esta fase é crucial e deve ser iniciada imediatamente. A correção da desidratação por si só pode levar a uma redução significativa da glicemia. A reposição de insulina, preferencialmente por via intravenosa contínua, deve ser iniciada após 1 a 2 horas da fase inicial de expansão volêmica, ou simultaneamente se houver choque ou hiperglicemia extrema. O objetivo é suprimir a cetogênese e reduzir a glicemia gradualmente para evitar complicações como o edema cerebral. O bicarbonato de sódio é raramente indicado, apenas em casos de acidose muito grave (pH < 6.9 ou 7.0) com instabilidade hemodinâmica. O monitoramento contínuo de eletrólitos, glicemia e estado ácido-base é fundamental durante todo o tratamento.

Perguntas Frequentes

Qual a prioridade inicial no manejo da cetoacidose diabética (CAD)?

A prioridade inicial é a reposição volêmica agressiva com solução salina isotônica para corrigir a desidratação, restaurar a perfusão tecidual e estabilizar o paciente antes de iniciar a insulina.

Por que a insulina não deve ser iniciada antes da hidratação adequada na CAD?

Iniciar a insulina sem hidratação prévia pode agravar a hipovolemia e o risco de edema cerebral, pois a insulina move a glicose para dentro das células, arrastando água e piorando a desidratação intravascular.

Quais são os critérios diagnósticos para cetoacidose diabética (CAD)?

Os critérios incluem hiperglicemia (geralmente > 250 mg/dL), acidose metabólica (pH < 7.3, bicarbonato < 18 mEq/L) e presença de cetonas no sangue ou urina.

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