Cetoacidose Diabética: Reposição de Potássio e Diurese

FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2015

Enunciado

Quando tratamos diabéticos gravemente descompensados, devemos nos atentar para além da desordem metabólica da glicemia, também para o grave desequilíbrio hidro e eletrolítico associado ao mesmo. Notadamente na CAD – Cetoacidose Diabética, podemos AFIRMAR que,

Alternativas

  1. A) somente podemos iniciar reposição de potássio após início da diurese, devido ao fato que, apesar de sempre o potássio corporal total estar diminuído, é o potássio intravascular que determina as complicações.
  2. B) podemos iniciar reposição de potássio mesmo sem diurese, devido ao fato que sempre o potássio corporal total está diminuído.
  3. C) somente podemos iniciar reposição de Potássio após controle da glicemia.
  4. D) não é necessário repor potássio caso a dosagem do mesmo esteja dentro da normalidade.

Pérola Clínica

CAD: Reposição K+ só após diurese, mesmo com K+ corporal total ↓, pois K+ intravascular determina complicações.

Resumo-Chave

Na Cetoacidose Diabética (CAD), o potássio corporal total está sempre diminuído, mas o potássio sérico pode estar normal ou elevado devido à acidose e desidratação. A reposição de potássio deve ser iniciada somente após o início da diurese e com níveis séricos abaixo de 5,0-5,2 mEq/L, para evitar hipercalemia iatrogênica, especialmente se houver insuficiência renal.

Contexto Educacional

A Cetoacidose Diabética (CAD) é uma emergência metabólica grave caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia, frequentemente acompanhada por um profundo desequilíbrio hidroeletrolítico. Embora a glicemia seja o foco inicial, o manejo dos eletrólitos, especialmente o potássio, é crucial para prevenir complicações fatais. A fisiopatologia da CAD leva a uma depleção total de potássio corporal devido à diurese osmótica e vômitos, mas o potássio sérico pode estar normal ou até elevado no momento da apresentação devido ao shift transcelular causado pela acidose e deficiência de insulina. A reposição de potássio na CAD é um dos aspectos mais delicados do tratamento. A administração de insulina, ao corrigir a acidose e promover a entrada de glicose nas células, também causa um influxo de potássio para o espaço intracelular, podendo precipitar uma hipocalemia grave. Por isso, a monitorização frequente do potássio sérico é imperativa. A regra geral é iniciar a reposição de potássio quando o nível sérico estiver abaixo de 5,0-5,2 mEq/L, mas *somente após o estabelecimento de uma diurese adequada*. A importância da diurese reside no fato de que a excreção renal é a principal via de eliminação do potássio. Se a reposição for iniciada em um paciente oligúrico ou anúrico, o risco de hipercalemia iatrogênica, com suas consequências cardíacas graves, é muito alto. Portanto, para residentes, a mensagem chave é: na CAD, o potássio corporal total está diminuído, mas a reposição deve ser guiada pelo potássio sérico e pela função renal, com cautela e monitorização rigorosa, e preferencialmente após o início da diurese.

Perguntas Frequentes

Quando iniciar a reposição de potássio na Cetoacidose Diabética (CAD)?

A reposição de potássio na CAD deve ser iniciada quando o potássio sérico estiver abaixo de 5,0-5,2 mEq/L e após o início da diurese, para evitar hipercalemia.

Por que o potássio corporal total está diminuído na CAD, mas o sérico pode estar normal ou alto?

O potássio corporal total está diminuído devido à diurese osmótica e vômitos. No entanto, a acidose e a deficiência de insulina causam um shift de potássio do intracelular para o extracelular, elevando temporariamente o potássio sérico.

Quais são os riscos de uma reposição inadequada de potássio na CAD?

A reposição inadequada pode levar à hipocalemia grave (se subestimada) ou à hipercalemia iatrogênica (se superestimada), ambas com risco de arritmias cardíacas fatais e fraqueza muscular.

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