Cetoacidose Diabética Pediátrica: Sinais e Diagnóstico

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Uma menina de 7 anos de idade chega ao seu consultório, com queixas de náuseas, dor abdominal e 2 episódios de vômitos nas últimas 24h. Ela previamente estava saudável, porém seus pais acreditam que ela perdeu peso, apesar de apresentar um bom apetite. Ela também se queixa de enurese noturna nos últimos meses. Ela não está tomando medicamentos. Ao exame físico ela possui uma aparência doente, sonolenta, suas membranas e mucosas muito ressecadas. Ela está afebril. As respirações são profundas e rápidas. ACV sem alterações. Abdome está difusamente doloroso com peristalse diminuída o diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Apendicite;
  2. B) Gastroenterite;
  3. C) Asma;
  4. D) Cetoaciadose diabética;
  5. E) Sepsis;

Pérola Clínica

Criança com dor abdominal, vômitos, desidratação e respiração de Kussmaul → suspeitar de Cetoacidose Diabética.

Resumo-Chave

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação grave do diabetes mellitus, especialmente em crianças com diagnóstico recente ou manejo inadequado. A apresentação clássica inclui sintomas gastrointestinais (náuseas, vômitos, dor abdominal), desidratação, perda de peso com bom apetite (polifagia), poliúria (enurese noturna) e, caracteristicamente, a respiração de Kussmaul, que indica acidose metabólica grave.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma emergência médica grave, especialmente prevalente em crianças com diabetes mellitus tipo 1, sendo frequentemente a primeira manifestação da doença. Caracteriza-se por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. A incidência de CAD como apresentação inicial do diabetes tipo 1 varia globalmente, mas é uma causa significativa de morbidade e mortalidade pediátrica se não for prontamente reconhecida e tratada. A fisiopatologia da CAD envolve a deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à hiperglicemia e à ativação de vias metabólicas alternativas, como a lipólise e a cetogênese. Os sintomas incluem poliúria, polidipsia, perda de peso, fadiga, náuseas, vômitos e dor abdominal. A respiração de Kussmaul é um sinal clássico de acidose metabólica compensatória. O diagnóstico é laboratorial, com glicemia > 200 mg/dL, pH < 7,3 e bicarbonato < 15 mEq/L, além da presença de cetonas na urina ou sangue. O tratamento da CAD é uma emergência e envolve hidratação intravenosa cuidadosa, insulinoterapia contínua em baixas doses, correção de eletrólitos (especialmente potássio) e monitorização rigorosa. Complicações como edema cerebral são raras, mas potencialmente fatais, e exigem atenção especial. A educação dos pais e pacientes sobre os sinais de alerta e o manejo do diabetes é fundamental para prevenir recorrências de CAD.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da cetoacidose diabética em crianças?

Os principais sintomas incluem náuseas, vômitos, dor abdominal, desidratação, poliúria (que pode se manifestar como enurese noturna), polidipsia, perda de peso apesar do bom apetite e, em casos mais graves, respiração de Kussmaul e alteração do nível de consciência.

O que é a respiração de Kussmaul e por que ela ocorre na cetoacidose diabética?

A respiração de Kussmaul é um padrão respiratório profundo e rápido, que ocorre como um mecanismo compensatório do corpo para eliminar dióxido de carbono e, assim, tentar corrigir a acidose metabólica grave presente na cetoacidose diabética.

Como diferenciar a dor abdominal da cetoacidose diabética de um abdome agudo cirúrgico?

Embora a dor abdominal possa ser intensa na CAD, ela geralmente é difusa e acompanhada de outros sinais de CAD (Kussmaul, desidratação, poliúria/polidipsia). Um abdome agudo cirúrgico tende a ter dor mais localizada, febre e sinais de irritação peritoneal, sem a acidose metabólica característica da CAD.

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