FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2022
Pré-adolescente de 13 anos foi levada à emergência pela mãe com quadro de dor abdominal difusa há 24h, vômitos, sinais de desidratação e torpor. Afirma que há uma semana a filha está mais prostrada, aparentando estar mais magra. Os exames laboratoriais de admissão indicaram: glicose sérica = 340mg/dL, gasometria arterial com os seguintes parâmetros: pH7,20/PaCO₂: 20/PaO₂ 110/HCO₃ 10/BE: -6,0 e saturação de oxigênio de 98%. O EAS apresenta 5 leucócitos, nitrito negativo e cetonúria 4+ na urina. A rotina de abdome agudo foi normal. Qual é o provável diagnóstico?
Glicemia >250 mg/dL + pH <7,30 + HCO₃ <18 mEq/L + cetonúria/cetonemia = Cetoacidose Diabética.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes, caracterizada pela tríade de hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria. A apresentação clínica inclui sintomas como dor abdominal, vômitos, desidratação e alteração do nível de consciência, sendo crucial o reconhecimento rápido para manejo adequado.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma emergência médica grave, mais comum em pacientes com diabetes mellitus tipo 1, frequentemente sendo a primeira manifestação da doença em crianças e adolescentes. É caracterizada por uma deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à hiperglicemia, lipólise e produção excessiva de corpos cetônicos, resultando em acidose metabólica. A rápida identificação e tratamento são cruciais para prevenir complicações graves, incluindo edema cerebral. O diagnóstico de CAD baseia-se na tríade de hiperglicemia (geralmente >250 mg/dL), acidose metabólica (pH <7,30 e bicarbonato <18 mEq/L) e cetonemia/cetonúria. Os sintomas podem ser inespecíficos no início, como prostração e emagrecimento, evoluindo para dor abdominal, vômitos, desidratação e alteração do nível de consciência. A gasometria arterial é fundamental para avaliar a gravidade da acidose, e a presença de cetonas na urina ou sangue confirma a cetose. É importante diferenciar de outras causas de dor abdominal e vômitos. O tratamento da CAD envolve a correção da desidratação com fluidos intravenosos, a administração de insulina para reverter a cetoacidose e a hiperglicemia, e a monitorização e reposição de eletrólitos, especialmente potássio. A educação do paciente e da família sobre o manejo do diabetes e a prevenção da CAD é essencial para evitar recorrências. Residentes devem estar aptos a reconhecer e iniciar o manejo adequado desta condição potencialmente fatal.
Os critérios diagnósticos para cetoacidose diabética incluem hiperglicemia (glicemia > 250 mg/dL), acidose metabólica (pH arterial < 7,30 e bicarbonato sérico < 18 mEq/L) e presença de cetonas no sangue (cetonemia) ou na urina (cetonúria). A gravidade é classificada pelo pH e bicarbonato.
Os sintomas em crianças e adolescentes podem incluir poliúria, polidipsia, perda de peso, dor abdominal, náuseas, vômitos, desidratação, respiração de Kussmaul (profunda e rápida), hálito cetônico e, em casos mais graves, letargia, torpor ou coma. A dor abdominal pode mimetizar um abdome agudo cirúrgico.
A conduta inicial envolve hidratação vigorosa com solução salina isotônica para corrigir a desidratação e restaurar a perfusão. Em seguida, inicia-se a insulinoterapia intravenosa em bomba de infusão para reduzir a glicemia e suprimir a cetogênese. A correção de eletrólitos, especialmente potássio, é crucial e deve ser monitorada de perto.
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