Cetoacidose Diabética Grave: Manejo Inicial e Hidratação

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024

Enunciado

Adolescente, 16a, é trazida ao Pronto-Socorro por falta de ar e mal-estar há dois dias. Exame físico: vígil e confusa; mucosas secas; peso=66Kg; PA=76/48mmHg; FC=124bpm; FR=28irpm; T=37,4oC; oximetria de pulso=96% em ar ambiente. Exames laboratoriais: glicemia=560mg/dL; creatinina=0,9mg/dL; potássio=3,2mEq/L; sódio=130mEq/L. Gasometria arterial: pH=6,97; HCO₃=12mEq/L; PaCO₂=24mmHg; PaO₂=112mmHg; cloreto=95mEq/L. ALÉM DA REPOSIÇÃO DE POTÁSSIO, A CONDUTA IMEDIATA É: 

Alternativas

Pérola Clínica

CAD grave (pH<7.0) + hipovolemia + hipocalemia → Hidratação agressiva + reposição K+ + insulina IV (após K+ >3.3).

Resumo-Chave

A paciente apresenta cetoacidose diabética (CAD) grave com desidratação severa (PA baixa, FC alta, mucosas secas) e hipocalemia. A conduta imediata, além da reposição de potássio, é a hidratação venosa agressiva com soro fisiológico 0,9%, essencial para corrigir a hipovolemia e iniciar a redução da glicemia e cetonemia. A insulina só deve ser iniciada após o potássio estar >3.3 mEq/L.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetose. É mais comum em pacientes com diabetes tipo 1 e pode ser precipitada por infecções, omissão de insulina ou outras condições estressoras. A apresentação clínica inclui desidratação severa, náuseas, vômitos, dor abdominal, respiração de Kussmaul e alteração do nível de consciência. O manejo inicial da CAD é crítico e visa corrigir a desidratação, a acidose e a hiperglicemia, além de repor eletrólitos. A hidratação venosa agressiva com soro fisiológico 0,9% é a primeira e mais importante medida, pois restaura o volume intravascular, melhora a perfusão renal e ajuda a reduzir a glicemia. A reposição de potássio é igualmente crucial, pois a acidose e a insulinoterapia podem levar a uma hipocalemia grave e arritmias cardíacas. A insulina intravenosa contínua só deve ser iniciada após a correção da hipovolemia e quando o potássio sérico estiver acima de 3.3 mEq/L. A monitorização contínua dos eletrólitos, glicemia, gasometria e estado hemodinâmico é essencial durante o tratamento da CAD. O objetivo é uma correção gradual dos distúrbios metabólicos para evitar complicações como edema cerebral, que é mais comum em crianças e adolescentes. A educação do paciente e da família sobre o manejo do diabetes e a prevenção da CAD é fundamental para evitar recorrências.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da hidratação venosa na cetoacidose diabética?

A hidratação venosa é a medida mais importante no manejo inicial da CAD, pois corrige a hipovolemia, melhora a perfusão tecidual, ajuda a reduzir a glicemia (aumentando a excreção renal de glicose) e a acidose, e restaura o volume intravascular.

Por que a reposição de potássio é crucial antes da insulina na CAD?

Pacientes com CAD frequentemente têm depleção de potássio corporal total, e a insulinoterapia, ao deslocar o potássio para o intracelular, pode precipitar ou agravar uma hipocalemia severa, levando a arritmias cardíacas potencialmente fatais.

Quando a insulinoterapia deve ser iniciada na cetoacidose diabética?

A insulinoterapia intravenosa contínua deve ser iniciada após a correção da hipovolemia e quando os níveis séricos de potássio estiverem acima de 3.3 mEq/L, para evitar complicações como a hipocalemia grave.

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