Cetoacidose Diabética: Manejo e Cetoacidose Euglicêmica

Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2025

Enunciado

Em relação ao manejo da cetoacidose diabética (CAD) é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A desidratação não é um achado frequente nos pacientes com CAD, indicando-se infusão de solução hipotônica afim de evitar sobrecarga salina nos pacientes com diabetes tipo I.
  2. B) Quando a glicemia sérica atingir o valor de 200mg/dl, a insulinoterapia em bomba de infusão continua deve ser suspensa pelo risco de hipoglicemia, não necessitando de avaliação do Ph arterial.
  3. C) O uso de inibidores da SGLT2 (Gliflozinas) em pacientes com comprometimento de função pancreática pode estar associado a cetoacidose euglicemica.
  4. D) Os níveis séricos de potássio devem ser monitorizados uma vez que quando iniciam a insulinoterapia, os níveis tendem a subir, aumentando os riscos de arritmias.

Pérola Clínica

Inibidores SGLT2 → risco de cetoacidose euglicêmica, especialmente com estresse ou função pancreática comprometida.

Resumo-Chave

A cetoacidose euglicêmica é uma forma atípica de cetoacidose diabética onde a glicemia não está marcadamente elevada (<250 mg/dL), mas há acidose metabólica e cetonemia. É uma complicação reconhecida do uso de inibidores da SGLT2 (gliflozinas), especialmente em situações de estresse metabólico, jejum prolongado ou deficiência de insulina.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. Sua fisiopatologia envolve a deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando a um aumento dos hormônios contrarreguladores, lipólise intensa e produção excessiva de corpos cetônicos. O manejo da CAD é uma emergência médica que exige hidratação agressiva, insulinoterapia intravenosa contínua e reposição eletrolítica cuidadosa, especialmente de potássio. Um ponto crucial no manejo da CAD é a atenção aos níveis de potássio. Embora a hipercalemia possa ser observada inicialmente devido à acidose e à saída de potássio das células, a insulinoterapia e a correção da acidose promovem o influxo de potássio para o intracelular, podendo precipitar uma hipocalemia grave e potencialmente fatal. Portanto, a monitorização frequente e a reposição precoce de potássio são fundamentais para prevenir arritmias cardíacas. Recentemente, com o advento dos inibidores da SGLT2 (gliflozinas), surgiu a cetoacidose euglicêmica, uma forma atípica de CAD onde a glicemia não está marcadamente elevada (<250 mg/dL). Essa condição é particularmente desafiadora, pois a ausência de hiperglicemia severa pode atrasar o diagnóstico. As gliflozinas, ao promoverem a glicosúria, podem levar a um estado de deficiência relativa de insulina e aumento da cetogênese, especialmente em situações de estresse, jejum prolongado ou em pacientes com reserva pancreática limitada. O reconhecimento dessa condição é vital para iniciar o tratamento adequado e evitar complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os pilares do tratamento da cetoacidose diabética?

Os pilares do tratamento da CAD são hidratação vigorosa com solução salina isotônica, insulinoterapia contínua para reverter a cetogênese e corrigir a hiperglicemia, e reposição de eletrólitos, principalmente potássio.

O que é cetoacidose euglicêmica e qual sua relação com as gliflozinas?

Cetoacidose euglicêmica é uma condição de acidose metabólica com cetonemia e glicemia <250 mg/dL. As gliflozinas (inibidores SGLT2) podem causá-la ao aumentar a excreção de glicose, levando a um estado de deficiência relativa de insulina e aumento da lipólise e cetogênese, mesmo com glicemia normal.

Por que o potássio é tão importante no manejo da CAD?

O potássio é crucial porque, embora os níveis séricos possam estar normais ou elevados inicialmente, a insulinoterapia e a correção da acidose promovem o influxo de potássio para o intracelular, podendo levar a hipocalemia grave e arritmias. A monitorização e reposição são essenciais.

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