Cetoacidose Diabética Pediátrica: ECG e Hipercalemia

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2022

Enunciado

Escolar de nove anos, sexo feminino, com relato de poliúria, emagrecimento, polidipsia e candidíase vaginal há cerca de 1 mês, é admitida na Emergência Pediátrica, torporosa, com sinais de desidratação, glicemia capilar: 365 mg/dL; gasometria: pH 7,12 e bicarbonato de 8 mEq/L; exame de urina: presença de corpos cetônicos, leucocitúria e hifas. Logo após a monitorização da paciente, verifica-se alteração no traçado, que levou à realização deste eletrocardiograma (ECG).Ao analisar o ECG, marque a afirmativa correta.

Alternativas

  1. A) Trata-se de um quadro de cetoacidose diabética e as alterações visualizadas no ECG sugerem hipercalemia.
  2. B) Trata-se de um quadro de cetoacidose diabética e a paciente deverá receber infusão de potássio pelas alterações visualizadas no ECG.
  3. C) A paciente encontra-se em choque séptico e as alterações no ECG são sugestivas de taquicardia sinusal.
  4. D) Trata-se de acidose metabólica associada à Torsades de Pointes por provável hipomagnesemia.

Pérola Clínica

Cetoacidose diabética grave → acidose metabólica + hipercalemia (ECG: ondas T apiculadas, QRS alargado).

Resumo-Chave

A cetoacidose diabética (CAD) cursa com acidose metabólica grave e, apesar da depleção corporal total de potássio, a acidose pode levar a um shift de potássio do intracelular para o extracelular, resultando em hipercalemia no plasma. As alterações eletrocardiográficas, como ondas T apiculadas e QRS alargado, são indicativos de hipercalemia e exigem atenção imediata.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, mais comum em crianças com diabetes tipo 1 recém-diagnosticado. Caracteriza-se por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia, resultantes da deficiência de insulina. A rápida identificação e manejo são cruciais para prevenir morbimortalidade. A fisiopatologia da CAD envolve a deficiência de insulina, que leva à gliconeogênese e cetogênese descontroladas, resultando em hiperglicemia e acúmulo de corpos cetônicos. A acidose metabólica resultante pode causar um deslocamento de potássio do intracelular para o extracelular, levando à hipercalemia sérica, apesar da depleção total de potássio. O ECG é uma ferramenta vital para monitorar os efeitos da hipercalemia, que se manifesta por ondas T apiculadas, prolongamento do PR e alargamento do QRS. O tratamento da CAD inclui hidratação vigorosa, insulinoterapia e correção dos distúrbios eletrolíticos e ácido-básicos. A monitorização do potássio sérico e do ECG é essencial. A reposição de potássio geralmente é iniciada após o potássio sérico começar a cair (normalmente com o início da insulinoterapia), mas a hipercalemia inicial deve ser reconhecida e monitorada de perto devido ao risco de arritmias cardíacas fatais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para cetoacidose diabética em crianças?

Os critérios incluem hiperglicemia (glicemia > 200 mg/dL), acidose metabólica (pH < 7,3 e/ou bicarbonato < 15 mEq/L) e cetonemia/cetonúria.

Como a acidose metabólica na CAD afeta os níveis de potássio sérico?

A acidose metabólica causa um deslocamento de potássio do compartimento intracelular para o extracelular em troca de íons hidrogênio, resultando em hipercalemia sérica, mesmo com depleção total de potássio corporal.

Quais alterações no ECG sugerem hipercalemia e qual a sua importância na CAD?

Ondas T apiculadas e estreitas, prolongamento do intervalo PR, alargamento do QRS e, em casos graves, fibrilação ventricular ou assistolia. A identificação é crucial para monitorar e tratar a hipercalemia, que pode ser fatal.

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