Cetoacidose Diabética Pediátrica: Sinais e Diagnóstico

Santa Casa de Goiânia (GO) — Prova 2020

Enunciado

No dia 31 de outubro, às 23 horas, o pediatra recebe no pronto-socorro uma criança de 12 anos, trazida pelos pais, com queixa de dor abdominal aguda. AO exame físico, o pediatra confirmou o abdome agudo, com dor à palpação superficial do abdome e observou, também, rubor facial, desidratação (4+/4+), hálito cetônico, respiração de Kussmaul, diminuição da perfusão periférica e sonolência. Qual é a principal hipótese diagnóstica para esta criança?

Alternativas

  1. A) Cetoacidose diabética.
  2. B) Apendicite.
  3. C) Pancreatite.
  4. D) Erro inato do metabolismo.

Pérola Clínica

Criança com dor abdominal, hálito cetônico, Kussmaul, desidratação e sonolência → Cetoacidose Diabética.

Resumo-Chave

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação grave do diabetes mellitus, especialmente do tipo 1, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. Os sintomas apresentados pela criança – dor abdominal aguda (que pode simular abdome cirúrgico), desidratação grave, hálito cetônico, respiração de Kussmaul (compensação da acidose), diminuição da perfusão periférica e sonolência – são clássicos da CAD. O reconhecimento rápido é crucial para o manejo emergencial e prevenção de complicações.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma das emergências mais graves e frequentes em crianças com diabetes mellitus tipo 1, sendo a principal causa de morbimortalidade nessa população. É frequentemente a primeira manifestação do diabetes tipo 1 em crianças ou ocorre devido à interrupção da insulinoterapia, infecções ou estresse. O reconhecimento precoce dos sinais e sintomas é vital para um manejo adequado e para prevenir complicações neurológicas graves, como o edema cerebral. A fisiopatologia da CAD envolve a deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à hiperglicemia (pela falta de captação de glicose pelas células e aumento da gliconeogênese) e à lipólise descontrolada, que gera corpos cetônicos (beta-hidroxibutirato, acetoacetato e acetona). O acúmulo desses ácidos orgânicos causa acidose metabólica. Clinicamente, a criança apresenta polidipsia, poliúria, polifagia, perda de peso, desidratação grave, dor abdominal (que pode ser intensa e simular abdome agudo), náuseas, vômitos, hálito cetônico (cheiro de frutas), respiração de Kussmaul (profunda e rápida para compensar a acidose) e alteração do nível de consciência, que pode variar de sonolência a coma. O diagnóstico é confirmado por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria. O tratamento é uma emergência médica e inclui hidratação intravenosa cuidadosa, insulinoterapia contínua intravenosa, reposição de eletrólitos (especialmente potássio) e monitoramento rigoroso do estado neurológico. Residentes devem estar aptos a identificar rapidamente a CAD e iniciar o tratamento de forma protocolar para garantir o melhor prognóstico para esses pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para cetoacidose diabética em crianças?

Os critérios diagnósticos para CAD incluem hiperglicemia (glicemia > 200 mg/dL), acidose metabólica (pH venoso < 7,3 ou bicarbonato < 15 mEq/L) e cetonemia/cetonúria moderada a grave. A gravidade é classificada pelo pH e bicarbonato.

Por que a dor abdominal é um sintoma comum na cetoacidose diabética?

A dor abdominal na CAD é multifatorial, podendo ser causada pela desidratação, distensão gástrica, irritação peritoneal devido à acidose, ou mesmo pela liberação de mediadores inflamatórios. É importante lembrar que pode simular um quadro cirúrgico, exigindo cautela no diagnóstico diferencial.

Qual a conduta inicial no manejo de uma criança com suspeita de cetoacidose diabética?

A conduta inicial envolve a estabilização do paciente, com hidratação intravenosa agressiva (solução salina isotônica), correção da acidose e da hiperglicemia com insulina intravenosa contínua, monitoramento rigoroso de eletrólitos (especialmente potássio) e glicemia, e busca ativa por fatores precipitantes.

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