Cetoacidose Diabética: Protocolo de Tratamento e Manejo

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente chega a unidade saúde com quadro de cetoacidose diabética. Com relação ao seu tratamento, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Reposição de bicarbonato de sódio está indicada para casos de pH menor ou igual a 6,9.
  2. B) Reposição de potássio é obrigatória, previamente à introdução da insulina, caso seu valor se encontre menor do que 3,5 mEq/L.
  3. C) A dose inicial de insulina é de 1 U/kg/hora.
  4. D) A hidratação inicial em paciente normotenso deve ser iniciada com 500 a 1000 mL de SF 0,9%.
  5. E) A bomba de infusão pode ser desligada, caso dois destes fatores estejam presentes: pH > 7,3, ânion gap ≤ 12 ou bicarbonato ≥ 15.

Pérola Clínica

CAD: Hidratação vigorosa + Insulina IV (0.1 U/kg/h) + Reposição K+ se < 5.2 mEq/L (obrigatória se < 3.5 antes da insulina).

Resumo-Chave

O tratamento da cetoacidose diabética (CAD) baseia-se em hidratação agressiva, insulinoterapia intravenosa contínua e reposição eletrolítica, principalmente de potássio. A dose inicial de insulina em infusão contínua é de 0.1 U/kg/hora, após um bolus inicial de 0.1 U/kg, se o potássio estiver adequado.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica com ânion gap elevado e cetonemia/cetonúria. É uma das principais causas de internação hospitalar em pacientes diabéticos e exige manejo rápido e eficaz. A fisiopatologia envolve deficiência de insulina e excesso de hormônios contrarreguladores, levando à lipólise, cetogênese e gliconeogênese descontroladas. O tratamento da CAD baseia-se em três pilares: hidratação intravenosa, insulinoterapia e reposição eletrolítica. A hidratação inicial com soro fisiológico 0,9% visa restaurar o volume intravascular e a perfusão tecidual. A insulinoterapia, geralmente iniciada com um bolus de 0.1 U/kg seguido por infusão contínua de 0.1 U/kg/hora, é crucial para inibir a cetogênese e promover a utilização de glicose. A reposição de potássio é vital e deve ser iniciada se o potássio sérico for < 5.2 mEq/L, e obrigatoriamente antes da insulina se < 3.5 mEq/L, para prevenir arritmias cardíacas. Outros pontos importantes incluem a reposição de bicarbonato apenas em casos de acidose muito grave (pH < 6.9 ou 7.0 com instabilidade hemodinâmica) e a monitorização contínua de glicemia, eletrólitos, pH e ânion gap. A transição para insulina subcutânea ocorre quando a CAD é resolvida e o paciente pode se alimentar. Residentes devem dominar este protocolo para garantir a segurança e recuperação dos pacientes com CAD.

Perguntas Frequentes

Qual a conduta inicial na hidratação de um paciente com cetoacidose diabética?

A hidratação inicial deve ser agressiva, geralmente com soro fisiológico 0,9%. Em adultos normotensos, inicia-se com 1 a 1,5 L na primeira hora, seguido por 250-500 mL/hora, ajustando conforme o estado de hidratação e sódio sérico. Em crianças, 10-20 mL/kg/hora.

Quando e como deve ser feita a reposição de potássio na CAD?

A reposição de potássio é fundamental. Se o potássio sérico for < 3.5 mEq/L, a reposição deve ser iniciada ANTES da insulina. Se estiver entre 3.5 e 5.2 mEq/L, inicia-se a reposição junto com a insulina. Se > 5.2 mEq/L, adia-se a reposição, mas monitora-se de perto.

Quais são os critérios para a resolução da cetoacidose diabética?

A resolução da CAD é definida por um pH > 7.3, bicarbonato sérico ≥ 15 mEq/L e ânion gap ≤ 12 mEq/L. A infusão de insulina pode ser convertida para subcutânea quando esses critérios são atingidos e o paciente é capaz de se alimentar.

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