UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Paciente masculino, de 21 anos, procurou, às 20 horas, o médico voluntário do abrigo em que se encontrava após a enchente em Porto Alegre, queixando-se de cansaço, mal-estar, náuseas e 2 episódios de vômito. Informou que teve diagnóstico de diabetes melito confirmado há 1 ano, que trouxera ao abrigo suas canetas de insulina (com prescrição de insulina glargina 24 UI antes do café e lispro conforme contagem de carboidratos), mas que esqueceu de aplicar algumas doses. Referiu ter peso de 62 kg e altura de 178 cm. Ao exame, encontrava- se em regular estado geral, corado, desidratado, com pressão arterial de 102/68 mmHg, frequência cardíaca de 110 bpm, frequência respiratória de 28 mpm e glicemia capilar de 490 mg/dl. Demais aspectos do exame físico não revelaram alterações. Qual a conduta mais adequada no momento?
Paciente DM1 com náuseas, vômitos, desidratação, taquicardia, taquipneia e glicemia >250 mg/dL = suspeita de Cetoacidose Diabética (CAD) → encaminhamento URGENTE para emergência hospitalar.
O quadro clínico do paciente, com sintomas gastrointestinais, desidratação, taquicardia, taquipneia e hiperglicemia acentuada, é altamente sugestivo de Cetoacidose Diabética (CAD), uma emergência médica que exige tratamento hospitalar imediato e complexo, não podendo ser manejada em um abrigo.
A Cetoacidose Diabética (CAD) é uma complicação aguda e grave do diabetes melito, mais comum no tipo 1, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. É uma das principais causas de internação hospitalar e mortalidade em pacientes diabéticos, especialmente quando o diagnóstico e o tratamento são tardios. O reconhecimento precoce dos sintomas é crucial para um desfecho favorável. O quadro clínico típico da CAD inclui sintomas de desidratação (boca seca, turgor cutâneo diminuído), sintomas gastrointestinais (náuseas, vômitos, dor abdominal), taquicardia, taquipneia (respiração de Kussmaul) e, em casos mais graves, alteração do nível de consciência. A glicemia capilar geralmente está acima de 250 mg/dL. A fisiopatologia envolve a deficiência de insulina, que leva à gliconeogênese e lipólise descontroladas, resultando em hiperglicemia e produção de corpos cetônicos, que causam a acidose. A conduta inicial em um paciente com suspeita de CAD em ambiente extra-hospitalar é a estabilização e o encaminhamento imediato para um Serviço de Emergência. O tratamento hospitalar envolve hidratação venosa agressiva com solução salina isotônica, administração de insulina regular por via intravenosa contínua, correção de eletrólitos (especialmente potássio) e monitoramento rigoroso do estado hemodinâmico, glicemia, eletrólitos e gasometria arterial. Tentar manejar a CAD com insulina subcutânea em um ambiente não hospitalar é inadequado e perigoso, pois não aborda a complexidade da desidratação e da acidose metabólica.
Os principais sinais e sintomas de CAD incluem poliúria, polidipsia, polifagia, perda de peso, náuseas, vômitos, dor abdominal, desidratação, hálito cetônico, respiração de Kussmaul, taquicardia, taquipneia e alteração do nível de consciência.
O paciente deve ser encaminhado para um Serviço de Emergência porque o quadro sugere Cetoacidose Diabética (CAD), uma condição grave que requer tratamento intensivo com hidratação venosa, insulina intravenosa, correção de distúrbios eletrolíticos e monitoramento contínuo em ambiente hospitalar.
Hiperglicemia simples pode ser manejada com ajustes na insulina subcutânea e dieta. A Cetoacidose Diabética, por outro lado, é uma emergência metabólica que envolve acidose, desidratação grave e cetonemia, exigindo tratamento hospitalar com fluidos IV e insulina IV para reverter o quadro.
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