HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2022
Os pais de uma adolescente de 12 anos de idade referem que ela apresenta perda contínua de peso nas últimas duas semanas (não sabem quantificar) e, na última semana, notaram nela aumento do apetite, aumento importante da ingestão hídrica, idas frequentes ao banheiro para urinar (inclusive com enurese noturna), hálito forte, com características de uma fruta passada, cansaço e fraqueza. Relatam odinofagia há quatro dias e febre reentrante de até 38 °C. Antecedentes pessoais e familiares: nada digno de nota, saudável. Ao exame, encontra-se em regular estado geral, corada, com mucosa labial seca, hipoativa, com hálito cetótico, peso = 28 kg, PA = 96 mmHg x 60 mmHg (P50) FC = 130 bpm, FR = 60 ipm, temperatura axillar = 36,7 °C e a amígdala hiperemiada, com petéquias em palato e placas amareladas na amígdala direita. Na ausculta respiratória apresenta incursões e excursões respiratórias profundas e rápidas. Apresenta abdome escavado, sem visceromegalias, mas relata incômodo à palpação. A respeito do caso clínico apresentado, julgue o item.As principais causas da CAD são infecções, pouca aderência ao tratamento e estresse emocional. Em cerca de 25% a 40% das crianças e dos adolescentes diabéticos, a CAD é responsável pela primodescompensação diabética. Em aproximadamente 25% dos casos de CAD, não é possível identificar um fator causal para a descompensação. A CAD representa a descompensação aguda mais grave em crianças e adolescentes diabéticos.
CAD: Infecções, má aderência e estresse emocional são causas comuns; é primodescompensação em 25-40% crianças/adolescentes.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação grave do diabetes, frequentemente precipitada por infecções, falha na adesão ao tratamento insulínico ou estresse físico/emocional. Em crianças e adolescentes, a CAD é a manifestação inicial do diabetes tipo 1 em uma parcela significativa dos casos (primodescompensação), e em cerca de 25% dos episódios, nenhum fator desencadeante é identificado.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma emergência metabólica grave, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia, resultante da deficiência absoluta ou relativa de insulina. É uma das principais causas de morbimortalidade em pacientes com diabetes, especialmente em crianças e adolescentes com diabetes tipo 1. A compreensão de seus fatores precipitantes e epidemiologia é crucial para o diagnóstico precoce e manejo adequado. Os fatores mais comuns que desencadeiam a CAD incluem infecções (como a amigdalite no caso clínico), que aumentam a demanda metabólica e a resistência à insulina; a má aderência ao tratamento insulínico, seja por omissão de doses ou doses insuficientes; e o estresse físico ou emocional. Em uma parcela significativa de crianças e adolescentes (25% a 40%), a CAD é a primeira manifestação da doença, conhecida como primodescompensação diabética, o que sublinha a importância de reconhecer os sintomas precoces do diabetes. Embora muitos casos tenham um fator desencadeante identificável, é importante notar que em aproximadamente 25% dos episódios de CAD, não é possível determinar uma causa específica. A CAD representa a descompensação aguda mais grave em pacientes diabéticos jovens, exigindo intervenção médica imediata para correção da desidratação, acidose e hiperglicemia, além da identificação e tratamento do fator precipitante.
Os sintomas incluem polidipsia, poliúria, polifagia, perda de peso, náuseas, vômitos, dor abdominal, hálito cetônico (odor de fruta passada), taquipneia (respiração de Kussmaul), desidratação e alteração do nível de consciência.
Infecções causam um aumento na liberação de hormônios contrarreguladores (como cortisol, glucagon, catecolaminas), que elevam a glicemia e promovem a lipólise e cetogênese, exacerbando a deficiência de insulina e levando à CAD.
A CAD como primodescompensação indica que o diabetes tipo 1 foi diagnosticado tardiamente, muitas vezes devido à falta de reconhecimento dos sintomas iniciais. Isso ressalta a importância da educação sobre os sinais de diabetes em pediatria.
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