SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2023
Paciente do sexo masculino, de 20 anos de idade, com diagnóstico de DM1 há cerca de 12 anos, chega ao pronto-socorro com quadro de astenia, taquipneia, rebaixamento do nível de consciência e desidratação com início há 12 horas. Familiares referem que o paciente estava fazendo uso irregular da insulina nos últimos dias e que já apresentou quadro semelhante quando interrompeu o tratamento de diabetes. Com base nesse caso clínico, assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a hipótese diagnóstica mais provável para esse quadro e o(s) melhor(es) exame(s) a ser(em) solicitado(s) no momento.
DM1 com uso irregular de insulina + taquipneia + rebaixamento de consciência → Cetoacidose Diabética (CAD).
A cetoacidose diabética é uma complicação aguda grave do diabetes, mais comum no DM1, precipitada por deficiência de insulina. A tríade clássica inclui hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria, manifestando-se com sintomas como astenia, taquipneia e alteração do nível de consciência.
O tratamento da CAD é uma emergência e envolve hidratação venosa agressiva com solução salina isotônica, insulinoterapia intravenosa contínua para suprimir a cetogênese e reduzir a glicemia, e reposição cuidadosa de eletrólitos, especialmente potássio, que pode estar normal ou elevado inicialmente, mas tende a cair rapidamente com a insulinoterapia. A reposição de bicarbonato é controversa e geralmente reservada para casos de acidose muito grave (pH < 6,9-7,0). O monitoramento contínuo dos parâmetros clínicos e laboratoriais é essencial para guiar o tratamento e prevenir complicações.
Os critérios incluem glicemia > 250 mg/dL, pH arterial < 7,30, bicarbonato sérico < 18 mEq/L e presença de cetonas no sangue ou urina. A gravidade é classificada pelo pH e nível de bicarbonato.
A gasometria arterial é essencial para avaliar o grau da acidose metabólica (pH e bicarbonato), o hiato aniônico e a compensação respiratória (pCO2), fornecendo informações cruciais para o diagnóstico e monitoramento da resposta ao tratamento.
A presença de corpos cetônicos confirma a cetose, um componente chave da cetoacidose diabética. A dosagem de beta-hidroxibutirato no sangue é mais precisa e reflete melhor a gravidade da cetose do que a cetonúria.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo