Cetoacidose Diabética em Adolescentes: Diagnóstico e Manejo

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um adolescente de 11 anos deu entrada no pronto-socorro com queixa de náusea, vômitos e dor abdominal há 1 dia, com piora após ingerir doce na noite anterior. Nega diarreia. Refere emagrecimento de 3 kg em 1 mês e aumento da diurese, nega disúria. Ao exame, apresentava boca seca e olhos fundos. Apresentava-se um pouco irritado, pedindo para beber bastante água, pulsos rápidos, taquipneico, sem alteração na ausculta respiratória e cardíaca, abdome doloroso à palpação, sem sinais de peritonite. Qual a principal hipótese diagnóstica e a conduta imediata nesse caso?

Alternativas

  1. A) Gastroenterocolite aguda; soro de reidratação por via oral.
  2. B) Diabetes mellitus; realizar glicemia.
  3. C) Pielonefrite; realizar urina 1.
  4. D) Gastroenterocolite aguda; expansão endovenosa com soro fisiológico.

Pérola Clínica

Adolescente + poliúria, polidipsia, emagrecimento, dor abdominal, desidratação → Suspeitar CAD, dosar glicemia.

Resumo-Chave

A apresentação de náuseas, vômitos, dor abdominal, poliúria, polidipsia e emagrecimento em um adolescente é altamente sugestiva de cetoacidose diabética, uma complicação grave do diabetes mellitus tipo 1, exigindo glicemia imediata para confirmação.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, mais comum no tipo 1, especialmente em crianças e adolescentes. É frequentemente a primeira manifestação do diabetes tipo 1, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia, resultantes da deficiência absoluta ou relativa de insulina. A fisiopatologia da CAD envolve a deficiência de insulina, que leva à gliconeogênese e glicogenólise hepática descontroladas, resultando em hiperglicemia. A ausência de insulina também promove a lipólise, liberando ácidos graxos que são convertidos em corpos cetônicos no fígado, causando a acidose metabólica. Os sintomas clássicos incluem poliúria, polidipsia, polifagia, perda de peso, náuseas, vômitos e dor abdominal. O diagnóstico é confirmado pela tríade de hiperglicemia (>200 mg/dL), cetonemia/cetonúria e acidose metabólica (pH < 7,3 e bicarbonato < 18 mEq/L). A conduta imediata envolve a reposição volêmica com soro fisiológico, insulinoterapia intravenosa contínua e correção dos distúrbios eletrolíticos, com monitoramento rigoroso do paciente em ambiente hospitalar.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da cetoacidose diabética em adolescentes?

Os principais sintomas incluem poliúria (aumento da diurese), polidipsia (aumento da sede), polifagia (aumento do apetite, embora possa haver anorexia), perda de peso, náuseas, vômitos, dor abdominal e hálito cetônico.

Por que a dor abdominal é comum na cetoacidose diabética?

A dor abdominal na CAD é multifatorial, podendo ser causada pela desidratação, distensão gástrica, irritação peritoneal devido à acidose metabólica e até mesmo pela inflamação pancreática associada.

Qual a conduta diagnóstica inicial para suspeita de cetoacidose diabética?

A conduta diagnóstica inicial é a realização imediata de uma glicemia capilar e/ou plasmática. Se elevada, deve-se prosseguir com a avaliação de cetonúria/cetonemia e gasometria arterial para confirmar a acidose metabólica.

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