Cetoacidose Diabética: Diagnóstico e Gasometria

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2024

Enunciado

Homem de 18 anos é admitido na emergência com náuseas, vômitos e sonolência. Exame físico não evidencia hipoperfusão tecidual. Glicemia capilar 258mg/dL. Coletada gasometria arterial: pH 7,2 Bicarbonato 10mEq/L PaCO₂30mmHg Na 142mEq/L Cloro 98mEq/L Lactato 0,8mmol/L. Qual a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Sepse.
  2. B) Cetoacidose diabética.
  3. C) Síndrome de Fanconi.
  4. D) Gastroenterite aguda.

Pérola Clínica

Hiperglicemia + acidose metabólica com ânion gap elevado + sintomas inespecíficos = Cetoacidose Diabética (CAD).

Resumo-Chave

A cetoacidose diabética (CAD) é caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica com ânion gap elevado e cetonemia/cetonúria. A gasometria arterial e o cálculo do ânion gap são essenciais para o diagnóstico diferencial de acidoses metabólicas.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica com ânion gap elevado e cetonemia. É mais comum no diabetes tipo 1, mas pode ocorrer no tipo 2 em situações de estresse. O reconhecimento precoce é vital para evitar desfechos adversos, sendo um tema recorrente em provas de residência e na prática de emergência. A fisiopatologia envolve a deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando ao aumento de hormônios contrarreguladores. Isso resulta em gliconeogênese e glicogenólise hepática exacerbadas, causando hiperglicemia, e lipólise aumentada, gerando ácidos graxos livres que são convertidos em corpos cetônicos no fígado, causando a acidose. A apresentação clínica inclui náuseas, vômitos, dor abdominal, polidipsia, poliúria, desidratação e, em casos graves, alteração do nível de consciência. O diagnóstico é confirmado pela gasometria arterial (pH baixo, bicarbonato baixo, PaCO₂ compensatória baixa), glicemia elevada e cálculo do ânion gap. O tratamento envolve hidratação intravenosa agressiva, insulina regular intravenosa e reposição de eletrólitos, com monitoramento rigoroso. A compreensão desses princípios é fundamental para o manejo eficaz da CAD.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para cetoacidose diabética (CAD)?

Os critérios diagnósticos para CAD incluem hiperglicemia (geralmente >250 mg/dL), acidose metabólica (pH <7,3 e bicarbonato <18 mEq/L) com ânion gap elevado (>10-12 mEq/L) e presença de cetonas no sangue ou urina. Sintomas como náuseas, vômitos, dor abdominal e alteração do nível de consciência são comuns.

Como calcular o ânion gap e qual sua importância na CAD?

O ânion gap (AG) é calculado pela fórmula Na+ - (Cl- + HCO3-). Um AG elevado (>10-12 mEq/L) na presença de acidose metabólica sugere acúmulo de ácidos não medidos, como os cetoácidos na CAD. É fundamental para diferenciar a CAD de outras causas de acidose metabólica.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de CAD?

A conduta inicial para CAD envolve hidratação vigorosa com solução salina isotônica, administração de insulina regular intravenosa para corrigir a hiperglicemia e cetose, e reposição de eletrólitos, especialmente potássio, monitorando-se a glicemia e a gasometria arterial frequentemente.

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