SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2015
Uma paciente de dezenove anos de idade foi encaminhada a um serviço de emergência por apresentar, havia duas horas, quadro clínico constituído por náuseas, vômito e alteração do nível de consciência. O clínico foi informado de que há três dias a paciente queixou-se de febre associada a calafrios e dor localizada em flanco direito. O exame físico de admissão mostrou temperatura de 38 °C. frequência cardíaca de 120 bpm, pressão arterial de 90 mmHg x 40 mmHg e frequência respiratória de 30 irpm. A paciente apresentava pele fria e ressecada, respiração do tipo Kussmaul e dor a punho percussão do flanco direito. Os exames laboratoriais mostram os seguintes resultados: leucócitos de 16.000/mm³ (sem desvio à esquerda); concentração normal de hemoglobina e contagem de hemácias dentro da normalidade para o sexo e faixa etária da paciente; glicose de 800 mg/dL ; sódio de 124 mEq/L; potássio de 3,4 mEq/L; cloro de 98 mEq/L; ureia de 50 mg/dL; e creatinina de 1,5 mg/L. A gasometria arterial apresentou PH – 7,20; PaO₂ - 90 mmHg; PaCO₂ - 30 mmHg; bicarbonato – 6 mEq/L e BE – 10. O Raio X de tórax não revelou alterações e o EAS demonstrou presença de cilindros leucocitários e de hematúria maciça. Considerando o caso clínico acima apresentado. Julgue o item a seguir. Nesse caso, deve-se buscar restaurar imediatamente a volemia por meio de soro fisiológico isotônico via intravenosa
DKA + Choque → Ressuscitação volêmica imediata com SF 0,9% IV.
A cetoacidose diabética (CAD) frequentemente é desencadeada por infecções. O manejo inicial prioritário em pacientes hipotensos é a restauração da volemia para garantir perfusão tecidual.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma emergência endócrina caracterizada pela tríade de hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. Neste caso, a pielonefrite (sugerida por dor em flanco, febre e cilindros leucocitários) atuou como fator precipitante. A gravidade é acentuada pelo estado de choque circulatório e alteração do nível de consciência. O tratamento baseia-se em quatro pilares: hidratação venosa, insulinoterapia, correção eletrolítica e tratamento do fator desencadeante. A reposição volêmica inicial com Soro Fisiológico 0,9% é mandatória para restaurar o volume intravascular e melhorar a perfusão renal, o que auxilia na depuração de glicose e corpos cetônicos.
A prioridade absoluta é a estabilização hemodinâmica. Em pacientes com sinais de choque (PA 90/40 mmHg), deve-se iniciar imediatamente a reposição volêmica com cristaloides isotônicos (Soro Fisiológico 0,9%) em bólus. A insulina só deve ser iniciada após a reposição inicial e a verificação dos níveis de potássio, pois a insulina pode agravar a hipotensão e a hipocalemia se o volume intravascular não for restaurado.
A hiponatremia em pacientes com glicemia de 800 mg/dL é frequentemente uma hiponatremia dilucional (pseudohiponatremia). Para cada 100 mg/dL de glicose acima de 100 mg/dL, o sódio medido cai aproximadamente 1,6 a 2,4 mEq/L. É crucial calcular o sódio corrigido para decidir o tipo de fluido na manutenção, mas no choque, o SF 0,9% é sempre a escolha inicial.
A respiração de Kussmaul é uma compensação respiratória para a acidose metabólica grave (pH 7,20, HCO3 6). O centro respiratório estimula o aumento da frequência e profundidade das incursões respiratórias para eliminar CO2 (PaCO2 30 mmHg), tentando elevar o pH sanguíneo. É um sinal clássico de acidose orgânica, como na cetoacidose diabética.
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