SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Menina de 8 anos de idade, previamente sadia, chega à Unidade de Pronto Atendimento com história de fraqueza intensa, sede excessiva e aumento da frequência urinária há duas semanas. Há relato de perda de peso nesse período, embora se alimente normalmente. Nas últimas 24 horas, passou a apresentar dor abdominal, náuseas e vômitos frequentes. Ao exame, está sonolenta, taquicárdica, com movimentos respiratórios rápidos e profundos e prega cutânea com retorno prolongado.Exames Laboratoriais:Glicemia: 480 mg/dLGasometria arterial: pH: 7,15; Bicarbonato: 10mEq/L; Anion gap: 22mEq/LCetonúria: (+++)Potássio sérico: 4,0mEq/L; Sódio sérico: 130mEq/L; Creatinina sérica: 1,0mg/dLO exame que deve ser realizado para avaliar a gravidade do quadro desta paciente, naquele momento:\\n
pH < 7,30 ou HCO3 < 15 mEq/L + cetonúria + hiperglicemia = Cetoacidose Diabética.
A gasometria arterial é o exame padrão-ouro para classificar a gravidade da CAD (leve, moderada ou grave) com base no grau de acidose metabólica.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma emergência endócrina grave, frequentemente a manifestação inicial do Diabetes Mellitus tipo 1 em crianças. Caracteriza-se pela deficiência absoluta de insulina, levando à hiperglicemia, diurese osmótica, desidratação e produção excessiva de corpos cetônicos, resultando em acidose metabólica com anion gap elevado. O manejo inicial foca na estabilização hemodinâmica, correção gradual da desidratação e interrupção da cetogênese via insulinoterapia intravenosa contínua. A monitorização rigorosa de eletrólitos (especialmente o potássio, que pode cair rapidamente com a insulina) e do estado ácido-básico é vital. A gasometria é o exame chave para avaliar a gravidade inicial e a evolução clínica, sendo superior à glicemia isolada para este fim.
A gravidade da CAD é definida pelo grau de acidose: Leve (pH < 7,30 ou bicarbonato < 15 mmol/L), Moderada (pH < 7,20 ou bicarbonato < 10 mmol/L) e Grave (pH < 7,10 ou bicarbonato < 5 mmol/L). No caso clínico apresentado, o pH de 7,15 e bicarbonato de 10 indicam uma CAD moderada.
A gasometria arterial ou venosa é fundamental para confirmar a presença de acidose metabólica com anion gap aumentado, que é o pilar fisiopatológico da CAD. Ela permite monitorar a resposta ao tratamento (reposição volêmica e insulinoterapia) através da normalização do pH e do excesso de bases, guiando a transição para insulina subcutânea.
Os sinais clássicos incluem a tríade poliúria, polidipsia e perda de peso, seguidos por sintomas gastrointestinais (dor abdominal, náuseas, vômitos) e respiratórios (respiração de Kussmaul). Alterações do sensório, como sonolência ou coma, indicam gravidade e risco iminente de edema cerebral.
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