Cetoacidose Diabética: Diagnóstico e Manejo Urgente

Multivix - Faculdade Multivix Vitória (ES) — Prova 2020

Enunciado

Joana, 18 anos, sem comorbidades conhecidas, deu entrada no pronto socorro sonolenta, levada por familiares, que relataram que a paciente iniciou nos últimos 3 dias quadro de dor abdominal, disúria e hematúria. À admissão a paciente apresenta-se prostrada, desidratada, sonolenta, pressão arterial = 100/60mmHg, frequência cardíaca = 125bpm, frequência respiratória = 35irpm, temperatura axilar = 38.3°C. Exames laboratoriais de admissão: hemoglobina = 15.2g/dL, hematócrito = 45%, leucócitos = 17.500/mm3, plaquetas = 150.000/mm3, glicemia = 300mg/dL, gasometria arterial: (pH = 6.9, bicarbornato = 14, pCo2 = 30, pO2 = 95, BE = -5), potássio = 3.8meq/L, sódio = 160meq/L, exame de urina simples com leucocitúria, piúria e corpos cetônicos, sem cilindros. Diante do caso, qual é o diagnóstico e a conduta mais apropriada?

Alternativas

  1. A) Cetoacidose diabética. Deve-se iniciar hidratação venosa com solução isotônica, reposição de potássio endovenosa, antibioticoterapia e insulina regular endovenosa.
  2. B) Cetoacidose diabética. Deve-se iniciar hidratação venosa com solução hipotônica, reposição de potássio endovenosa, antibioticoterapia, e insulina regular endovenosa.
  3. C) Estado hiperglicêmico hiperosmolar. Deve-se iniciar hidratação venosa com solução isotônica, antibioticoterapia, reposição de potássio endovenosa e insulina NPH endovenosa.
  4. D) Estado hiperglicêmico hiperosmolar. Deve-se iniciar hidratação venosa com solução isotônica, antibioticoterapia, reposição de potássio endovenosa e insulina regular endovenosa.

Pérola Clínica

CAD: Glicemia >250, pH <7.3, HCO3 <18, cetonúria/cetonemia. Tratamento: Hidratação isotônica, insulina regular IV, reposição potássio (se <5.3), correção sódio.

Resumo-Chave

O caso descreve um quadro clássico de cetoacidose diabética (CAD) com hiperglicemia, acidose metabólica grave e cetonúria. A conduta inicial envolve hidratação vigorosa com solução isotônica, insulina regular intravenosa e reposição de potássio, monitorando de perto os eletrólitos e o estado ácido-base.

Contexto Educacional

A Cetoacidose Diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria. É mais comum no diabetes tipo 1, mas pode ocorrer no tipo 2 sob estresse fisiológico. O quadro clínico inclui poliúria, polidipsia, náuseas, vômitos, dor abdominal, respiração de Kussmaul e alteração do nível de consciência. O diagnóstico é confirmado por glicemia >250 mg/dL, pH arterial <7.3, bicarbonato sérico <18 mEq/L e presença de cetonas. O tratamento da CAD é uma emergência médica e deve ser iniciado prontamente. A primeira etapa é a hidratação venosa agressiva com solução isotônica (soro fisiológico 0,9%) para corrigir a desidratação e melhorar a perfusão. Após a hidratação inicial, a insulina regular deve ser administrada por via intravenosa em infusão contínua. A reposição de potássio é fundamental, pois a acidose e a insulinoterapia podem causar hipocalemia grave. O potássio deve ser adicionado aos fluidos intravenosos se o nível sérico for <5.3 mEq/L, e monitorado de perto. Outras medidas incluem a busca e tratamento de fatores precipitantes (infecções, má adesão), e monitoramento contínuo de glicemia, eletrólitos, gasometria e estado neurológico. A correção do sódio deve ser feita considerando a hiperglicemia, que causa hiponatremia dilucional.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Cetoacidose Diabética (CAD)?

Os critérios diagnósticos para CAD incluem hiperglicemia (geralmente >250 mg/dL), acidose metabólica (pH <7.3 e bicarbonato <18 mEq/L) e presença de cetonas no sangue ou urina.

Qual a conduta inicial mais apropriada para um paciente com Cetoacidose Diabética?

A conduta inicial envolve hidratação venosa com solução isotônica (soro fisiológico 0,9%), seguida pela administração de insulina regular endovenosa. A reposição de potássio deve ser iniciada se o nível sérico for <5.3 mEq/L, mesmo que o paciente esteja normocalêmico ou hipercalêmico inicialmente, devido ao risco de hipocalemia com a insulinoterapia.

Por que a hidratação é a primeira etapa no tratamento da CAD?

A hidratação é crucial para corrigir a desidratação grave, restaurar a perfusão tecidual e ajudar a reduzir a glicemia e a cetonemia, diluindo os solutos e melhorando a filtração renal. Ela deve preceder ou ser iniciada simultaneamente à insulinoterapia.

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