SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2023
Um paciente de 33 anos foi encontrado desacordado com hálito cetônico, sendo levado direto para a emergência do hospital. Na sua história, consta que, há duas semanas, ele começou a apresentar polidipsia e poliúria. Os exames da emergência demostram um PH de 7,05; HCO3 de 11; K de 4,5 meq/l; sódio corrigido de 140 meq/l e seu HGT foi de 500mg/dl; além de presença de leucocitose com 26 mil leucóticos. Em relação ao caso clínico descrito e aos conhecimentos correlatos, julgue o item a seguir.O paciente apresenta uma osmolaridade efetiva plasmática, em torno de 290 meq/l.
Osmolaridade Efetiva = 2 × Na + (Glicose / 18) → Reflete a real tonicidade plasmática.
A osmolaridade efetiva exclui a ureia por ser um soluto livremente permeável. No caso, o valor calculado (307,7 mOsm/L) é superior aos 290 sugeridos.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma emergência endócrina caracterizada pela tríade de hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. O cálculo da osmolaridade efetiva é crucial para monitorar o estado de hidratação do paciente. No caso apresentado, com sódio corrigido de 140 e glicemia de 500, a conta resulta em 280 + 27,7 = 307,7 mOsm/L, invalidando a afirmação de que estaria em torno de 290. A leucocitose de 26 mil, embora alta, pode ser decorrente do próprio estresse metabólico e não necessariamente indica infecção.
A osmolaridade plasmática efetiva, ou tonicidade, é calculada pela fórmula: 2 x Sódio (mEq/L) + Glicose (mg/dL) / 18. Diferente da osmolaridade total, ela não inclui a ureia, pois esta atravessa livremente as membranas celulares e não exerce pressão osmótica efetiva entre os compartimentos intracelular e extracelular. No contexto da cetoacidose diabética (CAD), esse cálculo é fundamental para avaliar o grau de desidratação celular e guiar a reposição volêmica adequada, evitando complicações como o edema cerebral.
Na vigência de hiperglicemia, ocorre um deslocamento osmótico de água do meio intracelular para o extracelular, o que dilui o sódio plasmático (hiponatremia dilucional). Para uma avaliação fidedigna da tonicidade, utiliza-se o sódio corrigido. A fórmula de Katz propõe somar 1,6 mEq/L ao sódio medido para cada 100 mg/dL de glicose acima de 100 mg/dL. O uso do sódio corrigido na fórmula da osmolaridade permite identificar a real necessidade de fluidos hipotônicos ou isotônicos durante o tratamento.
A osmolaridade total engloba todos os solutos presentes no plasma (2xNa + Glicose/18 + Ureia/6), enquanto a osmolaridade efetiva (tonicidade) considera apenas os solutos que não atravessam livremente a membrana celular, como o sódio e a glicose. Clinicamente, a osmolaridade efetiva é o parâmetro mais relevante, pois determina o movimento de água através das membranas. Valores elevados de osmolaridade efetiva indicam desidratação celular grave, comum em estados hiperosmolares e cetoacidose grave.
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