Cetoacidose Diabética: Interpretação da Gasometria

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Uma paciente de 20 anos, portadora de Diabetes Mellitus tipo 1, é admitida no Pronto Atendimento com queixas de náuseas, vômitos e dor abdominal intensa. Ao exame físico, ela apresenta taquipneia, respiração de Kussmaul, desidratação e hálito cetônico. Os sinais vitais são: PA 100/60 mmHg, FC 120 bpm, FR 28 irpm, Temperatura 36,8°C.Os exames laboratoriais revelam:• Glicemia: 450 mg/dL• pH arterial: 7,15• HCO3-: 10 mEq/L• pCO2: 42 mmHg• pO2: 95 mmHg• Potássio sérico: 2,8 mEq/L• Sódio sérico: 135 mEq/L• Cetonas urinárias: positivasCom base na gasometria arterial, qual o diagnóstico ácido-básico da paciente?

Alternativas

  1. A) Acidose Metabólica simples.
  2. B) Acidose Metabólica com Alcalose Respiratória compensatória.
  3. C) Alcalose Metabólica com Acidose Respiratória.
  4. D) Acidose Respiratória com compensação metabólica.
  5. E) Acidose Mista (Acidose Metabólica com Acidose Respiratória).

Pérola Clínica

CAD grave: pH baixo, HCO3- baixo, pCO2 alta = Acidose Metabólica + Acidose Respiratória (mista).

Resumo-Chave

A paciente apresenta pH arterial baixo (acidemia), HCO3- baixo (componente metabólico) e pCO2 elevada (componente respiratório). A pCO2 elevada em um quadro de acidose metabólica com respiração de Kussmaul (taquipneia compensatória) indica falha na compensação respiratória ou um distúrbio respiratório primário, resultando em acidose mista.

Contexto Educacional

A Cetoacidose Diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do Diabetes Mellitus, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. É mais comum em pacientes com DM1, mas pode ocorrer em DM2. A fisiopatologia envolve a deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à lipólise e produção excessiva de corpos cetônicos, que são ácidos. A interpretação da gasometria arterial é fundamental para o diagnóstico e manejo da CAD. Um pH baixo e HCO3- baixo confirmam a acidose metabólica. A respiração de Kussmaul é uma tentativa compensatória do organismo para eliminar CO2 e, assim, reduzir a acidose. No entanto, se a pCO2 estiver elevada ou não suficientemente baixa para a compensação esperada, isso indica um componente de acidose respiratória ou falha na compensação, caracterizando um distúrbio misto. O manejo da CAD envolve hidratação vigorosa, insulinoterapia intravenosa e correção de eletrólitos, especialmente o potássio. A identificação precisa do distúrbio ácido-básico é crucial para guiar o tratamento e monitorar a resposta. A acidose mista, como no caso apresentado, pode indicar maior gravidade e a necessidade de atenção redobrada à função respiratória e ao equilíbrio hidroeletrolítico.

Perguntas Frequentes

Como identificar uma acidose metabólica na gasometria arterial?

A acidose metabólica é caracterizada por um pH arterial baixo (<7,35) e um bicarbonato (HCO3-) baixo (<22 mEq/L), com uma pCO2 que pode estar reduzida como compensação respiratória.

O que indica uma pCO2 elevada em um paciente com Cetoacidose Diabética e acidose metabólica?

Uma pCO2 elevada em um paciente com acidose metabólica e taquipneia (respiração de Kussmaul) sugere que a compensação respiratória está inadequada ou que há um componente de acidose respiratória primária, resultando em um distúrbio ácido-básico misto.

Quais são os principais achados laboratoriais na Cetoacidose Diabética?

Os achados incluem hiperglicemia (>250 mg/dL), acidose metabólica (pH <7,30, HCO3- <18 mEq/L), cetonúria/cetonemia, e eletrólitos alterados (potássio pode estar baixo, normal ou alto).

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo