Cetoacidose Diabética: Diagnóstico e Distúrbios Metabólicos

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2023

Enunciado

Adolescente de 13 anos deu entrada no pronto-socorro em primodescompensação diabética. Além da hiperglicemia e cetonuria, o distúrbio metabólico mais provável de ser encontrado nos exames laboratoriais iniciais é:

Alternativas

  1. A) Hipernatremia.
  2. B) Hipocalcemia.
  3. C) Hipercalemia.
  4. D) Osmolaridade sérica diminuída.
  5. E) Acidose metabólica com ânion gap aumentado.

Pérola Clínica

Primodescompensação diabética + hiperglicemia + cetonúria = Cetoacidose Diabética (CAD) com acidose metabólica de ânion gap aumentado.

Resumo-Chave

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes, mais comum no tipo 1, caracterizada por hiperglicemia, cetonemia/cetonúria e acidose metabólica com ânion gap aumentado devido ao acúmulo de cetoácidos. É a apresentação inicial frequente do diabetes tipo 1 em crianças e adolescentes.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma emergência endócrina grave, mais comumente associada ao diabetes mellitus tipo 1, especialmente em sua primodescompensação em crianças e adolescentes. É caracterizada por uma tríade de hiperglicemia, cetonemia/cetonúria e acidose metabólica. A incidência de CAD como primeira manifestação do diabetes tipo 1 varia, mas é uma apresentação comum em pacientes pediátricos. A fisiopatologia da CAD envolve a deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à hiperglicemia e à ativação de vias metabólicas alternativas. A falta de insulina impede a captação de glicose pelas células e promove a lipólise, liberando ácidos graxos livres. Estes são convertidos no fígado em corpos cetônicos (beta-hidroxibutirato, acetoacetato e acetona), que são ácidos fortes. O acúmulo desses cetoácidos leva à acidose metabólica com ânion gap aumentado, pois eles consomem o bicarbonato plasmático. O diagnóstico da CAD é laboratorial, com glicemia >250 mg/dL, pH arterial <7.3, bicarbonato sérico <18 mEq/L e cetonas positivas na urina ou sangue. O tratamento envolve hidratação venosa agressiva, insulinoterapia contínua, reposição de eletrólitos (especialmente potássio) e correção da acidose. É crucial monitorar de perto os eletrólitos e o estado ácido-base para evitar complicações como edema cerebral, hipocalemia e hipoglicemia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para cetoacidose diabética (CAD)?

Os critérios incluem hiperglicemia (glicemia >250 mg/dL), acidose metabólica (pH <7.3 e bicarbonato <18 mEq/L) e presença de cetonas no sangue ou urina. A gravidade é classificada pelo pH e bicarbonato.

Por que a cetoacidose diabética causa acidose metabólica com ânion gap aumentado?

A acidose ocorre devido à produção excessiva de cetoácidos (beta-hidroxibutirato e acetoacetato) na ausência de insulina. Esses ácidos fortes consomem o bicarbonato e aumentam o ânion gap, que é a diferença entre cátions e ânions não medidos.

Quais são os principais distúrbios eletrolíticos esperados na CAD?

Hiponatremia dilucional é comum. O potássio sérico pode estar normal ou elevado inicialmente devido à saída do intracelular, mas há depleção corporal total de potássio, que se manifesta com o tratamento. Fosfato e magnésio também podem estar depletados.

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