Santa Casa de Rondonópolis (MT) — Prova 2023
Paciente de 22 anos, do sexo feminino, portadora de diabetes mellitus do tipo 1, deu entrada em serviço de pronto atendimento com quadro de cetoacidose diabética devido à descontinuação do uso da insulina e transgressão dietética. Exames laboratoriais evidenciaram elevação significativa dos níveis séricos de glicose e o pH do sangue arterial era 7,27. Qual dos achados relacionados abaixo se espera encontrar no traçado eletrocardiográfico dessa paciente?
Cetoacidose diabética → Acidose + deficiência insulina → Hipercalemia → Ondas T apiculadas no ECG.
Na cetoacidose diabética, a acidose metabólica e a deficiência de insulina levam a um deslocamento do potássio intracelular para o extracelular, resultando em hipercalemia. Um dos achados eletrocardiográficos mais precoces e característicos da hipercalemia são as ondas T apiculadas e simétricas.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, mais comum no tipo 1, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. É frequentemente precipitada por infecções, interrupção da terapia com insulina ou estresse fisiológico. A fisiopatologia envolve a deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à lipólise e produção excessiva de corpos cetônicos, resultando em acidose. Os distúrbios eletrolíticos são uma característica marcante da CAD. A hipercalemia é comum na apresentação devido ao deslocamento do potássio para fora das células em resposta à acidose e à deficiência de insulina, mesmo que o potássio corporal total esteja depletado. O monitoramento cardíaco é crucial, pois a hipercalemia pode levar a arritmias fatais. No eletrocardiograma (ECG), a hipercalemia se manifesta inicialmente com ondas T apiculadas, simétricas e de base estreita. Com a progressão, podem surgir prolongamento do intervalo PR, alargamento do complexo QRS e, em casos extremos, perda da onda P e ritmos de escape, culminando em assistolia ou fibrilação ventricular. O tratamento da CAD inclui reposição volêmica, insulina intravenosa e correção dos distúrbios eletrolíticos.
Os critérios incluem hiperglicemia (>250 mg/dL), acidose metabólica (pH <7,3 e bicarbonato <18 mEq/L) e presença de cetonas no sangue ou urina.
A deficiência de insulina e a acidose metabólica levam a um deslocamento do potássio do espaço intracelular para o extracelular, resultando em hipercalemia, apesar da depleção total de potássio corporal.
Além das ondas T apiculadas, pode haver prolongamento do intervalo PR, alargamento do QRS, desaparecimento da onda P e, em casos graves, ritmo sinusoidal e fibrilação ventricular.
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