Cetoacidose Diabética: Manejo Inicial e Prioridades Terapêuticas

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 12 anos, portador de diabetes mellitus tipo 1 desde os seis anos, dá entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com febre, ânsia, vômito, agitação. Exames: Glicose: 450mg/dL; Potássio: 2,9 mEq/L (VR 3,5 a 5); Leucócitos: 11.000; pH: 7,10 (VR 7,35 a 7,45); Creatinina: 1,8 mg/dL (VR 0,6 a 1,2); Sódio: 136 mEq/L (VR 135-145). Em relação ao caso, qual a conduta correta?

Alternativas

  1. A) Administrar insulina regular IV 10 unidades em bolus e, a seguir, iniciar hidratação com soro a 0,45%.
  2. B) Iniciar hidratação e reposição de potássio e, a seguir, iniciar insulina regular por via intravenosa.
  3. C) Solicitar exame de urina 1 e novo hemograma e, de acordo com o resultado, iniciar antibiótico e, a seguir, iniciar insulina basal associada com a insulina em bolus.
  4. D) Reintroduzir esquema de insulina que o paciente usava anteriormente.
  5. E) Administrar insulina N humana (NPH) 10 unidades e, a seguir, iniciar hidratação com soro fisiológico a 0,9%.

Pérola Clínica

CAD: iniciar hidratação + reposição K+ (se < 5,2 mEq/L) ANTES de insulina IV.

Resumo-Chave

Na cetoacidose diabética, a prioridade inicial é a hidratação vigorosa para corrigir a desidratação e a hipovolemia. A reposição de potássio é crucial se os níveis estiverem baixos ou normais-baixos, pois a insulina pode precipitar hipocalemia grave. A insulina só deve ser iniciada após a hidratação e correção do potássio.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, mais comum no tipo 1, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. É uma emergência médica que exige reconhecimento e tratamento imediatos para prevenir morbidade e mortalidade significativas. Residentes devem estar aptos a identificar e manejar esta condição. O diagnóstico da CAD baseia-se na tríade de hiperglicemia (>250 mg/dL), acidose metabólica (pH < 7,30 e bicarbonato < 18 mEq/L) e cetonúria/cetonemia. Os sintomas incluem poliúria, polidipsia, náuseas, vômitos, dor abdominal, respiração de Kussmaul e alteração do nível de consciência. A suspeita deve ser alta em pacientes diabéticos com esses sintomas. O tratamento da CAD envolve quatro pilares: hidratação intravenosa agressiva, insulinoterapia, reposição de eletrólitos (principalmente potássio) e tratamento da causa precipitante. A hidratação deve ser iniciada imediatamente com soro fisiológico 0,9%. A reposição de potássio é crucial se o nível sérico for < 5,2 mEq/L antes de iniciar a insulina. A insulina regular intravenosa é administrada em infusão contínua após a estabilização hemodinâmica e correção do potássio.

Perguntas Frequentes

Qual a primeira medida a ser tomada no manejo da cetoacidose diabética (CAD)?

A primeira medida é iniciar a hidratação vigorosa com solução salina isotônica (0,9%) para corrigir a desidratação e restaurar o volume intravascular.

Quando e por que a reposição de potássio é importante na CAD?

A reposição de potássio é crucial se o potássio sérico estiver baixo ou normal-baixo (geralmente < 5,2 mEq/L) antes de iniciar a insulina. A insulina promove a entrada de potássio nas células, podendo precipitar ou agravar a hipocalemia, com risco de arritmias.

Qual o papel da insulina no tratamento da CAD e quando deve ser iniciada?

A insulina regular intravenosa é essencial para reverter a cetoacidose, mas deve ser iniciada somente após a hidratação adequada e a correção do potássio, para evitar complicações como hipocalemia e edema cerebral.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo