SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025
Uma escolar de 8 anos de idade foi levada à emergência por seus pais com queixa de poliúria, polidipsia e perda de peso há duas semanas. Referiu ainda náuseas e vômitos há um dia. Ao exame físico, apresenta-se emagrecida, desidratada (+++/4+), taquicárdica, com dor abdominal. FC = 140 bpm, FR = 30 irpm, SatO2 = 97% em ar ambiente e glicemia capilar = 450 mg/dL. Nesse caso clínico, a principal hipótese diagnóstica e a conduta inicial são, respectivamente,
Poliúria + perda de peso + dor abdominal + glicemia > 250 = Cetoacidose Diabética.
A cetoacidose diabética é uma emergência médica que requer expansão volêmica imediata com soro fisiológico e insulinoterapia contínua para reverter a acidose.
A cetoacidose diabética (CAD) é a apresentação inicial de cerca de 30% dos casos de Diabetes Mellitus Tipo 1 em crianças. A deficiência absoluta de insulina leva a um estado catabólico com produção excessiva de corpos cetônicos, resultando em acidose metabólica com anion gap elevado. O manejo exige monitorização rigorosa de eletrólitos (especialmente potássio, que pode cair rapidamente com a insulina) e do estado neurológico. O sucesso do tratamento depende do equilíbrio cuidadoso entre a reposição de fluidos e a administração de insulina, visando uma queda gradual da glicemia e resolução da acidose.
A Cetoacidose Diabética (CAD) é definida pela tríade: 1) Hiperglicemia (glicemia > 200-250 mg/dL); 2) Acidose metabólica (pH venoso < 7.3 ou bicarbonato sérico < 15 mmol/L); e 3) Cetonemia ou cetonúria. Clinicamente, o paciente apresenta desidratação, hálito cetônico, respiração de Kussmaul e, frequentemente, dor abdominal que pode simular abdome agudo cirúrgico.
A prioridade inicial é a restauração do volume intravascular. Deve-se iniciar com solução salina isotônica (NaCl 0,9%) 10-20 mL/kg em 1-2 horas. A reposição do déficit restante deve ser feita de forma lenta ao longo de 48 horas para evitar quedas bruscas na osmolaridade plasmática, o que minimiza o risco de edema cerebral, a complicação mais temida no manejo da CAD pediátrica.
A insulinoterapia deve ser iniciada 1 a 2 horas APÓS o início da hidratação venosa, nunca simultaneamente ou antes. A dose recomendada é de 0,05 a 0,1 U/kg/hora em infusão contínua. O objetivo da insulina na CAD não é apenas baixar a glicemia, mas sim interromper a cetogênese e reverter a acidose. O bólus de insulina é contraindicado em pediatria pelo risco de edema cerebral.
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