Cetoacidose Diabética: Manejo do Potássio e Acidose

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2022

Enunciado

Pré-adolescente, sexo feminino é encaminhada para hospital terciário devido diagnóstico de cetoacidose diabética. Na admissão, é identificada glicemia 600 mg/dl; pH 7,1; potássio 4,0 mEq/l. Ao prescrever as medidas iniciais de tratamento, deve ser considerado que:

Alternativas

  1. A) A correção da acidose provocará redução na calemia.
  2. B) A administração de insulina provocará aumento da calemia.
  3. C) Existe depleção do potássio extracelular, preservando o potássio intracelular.
  4. D) A administração de bicarbonato tem finalidade de reduzir a ocorrência de edema cerebral.

Pérola Clínica

CAD: correção da acidose e insulina → potássio extracelular ↓ (risco de hipocalemia).

Resumo-Chave

Na cetoacidose diabética, a correção da acidose com fluidos e insulina promove a entrada de potássio para o meio intracelular, resultando em uma redução do potássio extracelular (calemia). Isso ocorre mesmo que o potássio sérico inicial possa estar normal ou elevado devido à acidose.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. É uma emergência pediátrica comum e requer manejo intensivo e cuidadoso, especialmente em relação aos distúrbios hidroeletrolíticos. A fisiopatologia envolve a deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à lipólise e produção de corpos cetônicos. Um dos aspectos mais críticos do tratamento da CAD é o manejo do potássio. Embora o potássio sérico possa estar normal ou até elevado na apresentação devido à acidose e à saída de potássio das células, o potássio corporal total está depletado. A administração de insulina e a correção da acidose promovem a entrada de potássio para o meio intracelular, o que pode precipitar uma hipocalemia grave e arritmias cardíacas. O tratamento da CAD envolve hidratação vigorosa, insulinoterapia contínua e reposição cuidadosa de eletrólitos, especialmente potássio, uma vez que a calemia começar a cair. O uso de bicarbonato é restrito a situações muito específicas devido aos riscos. O monitoramento contínuo de glicemia, eletrólitos, gasometria e estado neurológico é essencial para prevenir complicações como o edema cerebral.

Perguntas Frequentes

Como a correção da acidose afeta o potássio na cetoacidose diabética?

A correção da acidose, seja por fluidos ou insulina, promove a entrada de potássio para o interior das células, o que pode levar a uma redução significativa do potássio sérico (calemia), exigindo monitoramento e reposição.

Por que a insulina pode reduzir a calemia na CAD?

A insulina estimula a bomba de sódio-potássio ATPase, que transporta potássio para dentro das células. Na CAD, a administração de insulina, juntamente com a correção da acidose, move o potássio do espaço extracelular para o intracelular, diminuindo a calemia.

Qual o papel do bicarbonato no tratamento da cetoacidose diabética?

A administração de bicarbonato na CAD é controversa e geralmente não recomendada, exceto em casos de acidose muito grave (pH < 6.9-7.0) com instabilidade hemodinâmica, devido ao risco de piorar a hipocalemia e aumentar o risco de edema cerebral.

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