Cetoacidose Diabética: Diagnóstico e Fatores Precipitantes

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2025

Enunciado

Paciente feminino de 55 anos comparece à primeira consulta em ambulatório de Nefrologia, relatando piora do edema nos membros inferiores nas últimas 3 semanas. Tem histórico de diabetes mellitus, mas nega ter conhecimento sobre alterações renais prévias. Atualmente, faz uso de insulina e anlodipina. Ao voltar para casa, depois da consulta, a paciente ficou muito preocupada com o que o médico lhe falou sobre "os seus rins não estarem funcionando bem?. Ela tinha histórico de depressão e começou a apresentar uma nova recaída. Após uma semana, parou de tomar todas as medicações. Alguns dias depois, foi levada pelo marido ao pronto-socorro, apresentando fraqueza extrema, dispneia, letargia e confusão mental. Exame físico: • Sinais de desidratação moderada, como mucosas secas e turgor cutâneo diminuído; • FR 35 com respiração rápida e profunda; • Ausência de edema de MMII. Exames laboratoriais: • Glicemia: 450 mg/dL; • Creatinina: 2.3 mg/dL; • Ureia: 80 mg/dL; • Sódio: 140 mEq/L; • Potássio: 5.5 mEq/L; • Cloro: 98 mEq/L; • Gasometria Arterial: pH: 7.25; • Bicarbonato: 10 mEq/L; • pCO2: 25 mmHg; pO2: 90 mmHg; Na admissão da paciente no pronto-socorro, qual o diagnóstico mais provável para a descompensação e qual o principal fator precipitante?

Alternativas

  1. A) Crise de ansiedade precipitada pelo estresse emocional e histórico de depressão, após receber o diagnóstico de doença renal.
  2. B) Acidose metabólica de causa renal precipitada pela progressão natural da doença renal crônica.
  3. C) Acidose metabólica por cetoacidose diabética precipitada pela suspensão da insulinoterapia devido a recaída depressiva.
  4. D) Uremia devido a piora natural da função renal associada a diminuição de ingestão hídrica secundária ao quadro depressivo da paciente.

Pérola Clínica

DKA = Glicemia > 250 + pH < 7,3 + HCO3 < 18 + Cetonúria/Cetonemia. Principal gatilho: má adesão ou infecção.

Resumo-Chave

A cetoacidose diabética (CAD) resulta da deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à produção excessiva de corpos cetônicos e acidose metabólica com hiato aniônico aumentado.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética é uma emergência endócrina definida pela tríade de hiperglicemia, acidose metabólica e cetose. A fisiopatologia envolve a redução da ação da insulina associada ao aumento dos hormônios contrarreguladores (glucagon, catecolaminas, cortisol). Isso estimula a lipólise e a cetogênese hepática. O tratamento baseia-se na expansão volêmica vigorosa, correção dos distúrbios eletrolíticos (especialmente o potássio) e insulinoterapia intravenosa contínua para bloquear a produção de corpos cetônicos.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar Cetoacidose Diabética de Estado Hiperosmolar?

A Cetoacidose Diabética (CAD) caracteriza-se por acidose metabólica (pH < 7,30, Bicarbonato < 18 mEq/L) e presença de cetonemia ou cetonúria significativa, geralmente com glicemias entre 250-600 mg/dL. Já o Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico (EHH) apresenta glicemias muito elevadas (> 600 mg/dL), osmolaridade plasmática > 320 mOsm/kg e ausência de acidose significativa. No caso apresentado, o pH de 7,25 e o bicarbonato de 10 mEq/L confirmam a acidose, direcionando o diagnóstico para CAD.

Qual a importância do Anion Gap na CAD?

O Anion Gap (AG) é fundamental para confirmar que a acidose é causada pelo acúmulo de ácidos orgânicos (cetoácidos). Ele é calculado pela fórmula Na - (Cl + HCO3). Valores acima de 12 mEq/L indicam acidose com AG elevado. Na paciente, o AG é 140 - (98 + 10) = 32, o que é altamente sugestivo de cetoacidose no contexto de hiperglicemia.

Por que a depressão é um fator de risco para CAD?

Transtornos psiquiátricos, como a depressão, impactam diretamente a adesão ao tratamento crônico. A negligência com o autocuidado e a suspensão voluntária da insulina são causas frequentes de descompensação aguda. O médico deve sempre investigar o suporte psicossocial e a saúde mental do paciente diabético para prevenir episódios recorrentes de CAD.

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