Manejo Inicial da Cetoacidose Diabética em Pediatria

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2026

Enunciado

Criança de 6 anos chega à emergência com quadro clínico de vômitos, sinais de desidratação, hálito cetônico, história de perda de peso, associada a poliúria e a polidipsia. Criança de 6 anos chega a emergência com quadro clínico de vômitos, sinais de desidratação, hálito cetônico, história de perda de peso, associada a poliúria e a polidipsia. (Caso clínico para as questões 59 e 60) Qual a conduta inicial?

Alternativas

  1. A) Hidratação venosa com solução salina isotónica e bicarbonato em infusão continua.
  2. B) Hidratação venosa com solução salina isotônica e, avaliar após HV a necessidade de insulina regular em infusão continua.
  3. C) Iniciar hidratação venosa com solução salina hipertônica e insulina NPH em bolus.
  4. D) Iniciar hidratação venosa com solução glicosada hipotônica.
  5. E) Iniciar hidratação venosa com solução salina isotónica e glicose em infusão contínua.

Pérola Clínica

CAD inicial → 1º Hidratação isotônica (expansão); 2º Insulina regular (após 1-2h).

Resumo-Chave

Na cetoacidose diabética (CAD), a prioridade absoluta é a restauração do volume intravascular com solução isotônica antes de iniciar a insulinoterapia para evitar colapso cardiovascular e reduzir o risco de edema cerebral.

Contexto Educacional

A Cetoacidose Diabética (CAD) é uma emergência endócrina caracterizada pela tríade: hiperglicemia (>200 mg/dL), acidose metabólica (pH <7,3 ou bicarbonato <15 mmol/L) e cetonemia/cetonúria. Em crianças, é frequentemente a manifestação inicial do Diabetes Mellitus Tipo 1. O quadro clínico de poliúria, polidipsia e perda de peso, evoluindo para vômitos e hálito cetônico, é clássico e exige intervenção imediata. A fisiopatologia envolve a deficiência absoluta de insulina e o excesso de hormônios contrarreguladores, levando à lipólise e produção de corpos cetônicos. O manejo foca na correção da desidratação, distúrbios eletrolíticos e reversão da cetose. A hidratação cuidadosa é o pilar fundamental, utilizando soluções isotônicas para evitar variações osmóticas abruptas. A monitorização contínua de eletrólitos (especialmente potássio) e do estado neurológico é obrigatória durante todo o tratamento.

Perguntas Frequentes

Qual o primeiro passo no tratamento da CAD pediátrica?

O primeiro passo é a estabilização hemodinâmica através da expansão volêmica com solução salina isotônica (SF 0,9%). O objetivo é restaurar o volume circulante e melhorar a perfusão tecidual. A insulina nunca deve ser administrada na primeira hora de ressuscitação volêmica, pois a queda rápida da glicemia e da osmolaridade plasmática aumenta o risco de edema cerebral.

Quando iniciar a infusão de insulina na CAD?

A infusão contínua de insulina regular (geralmente 0,05 a 0,1 U/kg/h) deve ser iniciada apenas após o início da reposição volêmica (geralmente 1 a 2 horas depois). Não se recomenda o uso de bolus de insulina em crianças, pois isso aumenta o risco de hipoglicemia severa e edema cerebral iatrogênico.

Por que evitar o uso rotineiro de bicarbonato na CAD?

O uso de bicarbonato de sódio é raramente indicado na CAD pediátrica e está associado a um maior risco de edema cerebral. Ele deve ser reservado apenas para casos de acidose extrema (pH < 6.9) com comprometimento da contratilidade miocárdica ou hipercalemia grave com risco de vida, sempre com monitorização rigorosa.

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