Cetoacidose Diabética: Interpretação de Gasometria e Anion Gap

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 17 anos, portadora de DM1 é admitida em serviço de emergência com quadro de dor abdominal e desidratação. Refere que não vem fazendo uso da insulina há alguns dias. Ao exame físico apresenta uma pressão arterial de 90x60 mmHg, Frequência cardíaca de 120bpm e frequência respiratória de 26ipm.Você solicita exames laboratoriais que revelam:Gasometria: PH: 7,15, Bicarbonato: 12mEq/L; PCO2: 26mmHgGlicose: 420 mg/dLSódio: 130 mEq/LCloreto: 90 mEq/LPotássio: 2,6 mEq/LQual o diagnóstico da gasometria do paciente?

Alternativas

  1. A) Acidose Metabólica com Anion Gap Normal.
  2. B) Acidose Metabólica com Anion Gap Elevado.
  3. C) Acidose Metabólica associado a Alcalose Respiratória.
  4. D) Acidose Metabólica Associado a Acidose Respiratória.
  5. E) Acidose Respiratória associado a Alcalose Metabólica.

Pérola Clínica

DKA → Acidose metabólica com Anion Gap elevado + Compensação respiratória (Winter).

Resumo-Chave

Na cetoacidose diabética, o acúmulo de corpos cetônicos gera uma acidose metabólica com hiato aniônico (Anion Gap) aumentado, exigindo cálculo da compensação respiratória.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do Diabetes Mellitus, predominantemente do tipo 1, caracterizada pela tríade: hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. O quadro clínico de dor abdominal, desidratação e taquipneia (respiração de Kussmaul) é clássico. A fisiopatologia envolve a deficiência absoluta de insulina associada ao aumento de hormônios contrarreguladores, levando à lipólise e formação de corpos cetônicos. Na análise gasométrica, o primeiro passo é identificar o pH baixo (acidemia) e o bicarbonato baixo (acidose metabólica). O cálculo do Anion Gap diferencia as acidoses por perda de base (AG normal) daquelas por acúmulo de ácidos (AG elevado). Na CAD, o AG está sempre elevado devido aos cetoácidos. A avaliação da compensação respiratória via fórmula de Winter é mandatória para descartar distúrbios mistos que podem indicar falência respiratória iminente ou outros processos patológicos concomitantes.

Perguntas Frequentes

Como calcular o Anion Gap nesta questão?

O Anion Gap (AG) é calculado pela fórmula: Na - (Cl + HCO3). No caso apresentado: 130 - (90 + 12) = 28 mEq/L. Como o valor de referência é geralmente entre 8-12 mEq/L, um AG de 28 confirma uma acidose metabólica com Anion Gap elevado, característica da presença de ácidos não mensuráveis, como os cetoácidos na DM1.

A PCO2 de 26 mmHg indica um distúrbio misto?

Para verificar se a resposta respiratória é adequada, usamos a Fórmula de Winter: PCO2 esperada = (1,5 x HCO3) + 8 ± 2. Calculando: (1,5 x 12) + 8 = 18 + 8 = 26. Como a PCO2 medida é exatamente 26, trata-se de uma acidose metabólica puramente compensada, sem distúrbio respiratório associado.

Qual a conduta prioritária com potássio de 2,6 mEq/L?

Com potássio abaixo de 3,3 mEq/L, a insulinoterapia deve ser postergada. A prioridade é a reposição vigorosa de potássio (40 mEq/h) e hidratação venosa, pois a insulina desloca o potássio para o meio intracelular, podendo agravar a hipocalemia e causar arritmias fatais.

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