MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025
Um homem de 32 anos, com diagnóstico de Diabetes Mellitus Tipo 1 há 15 anos, é levado à emergência com quadro de náuseas, vômitos e dor abdominal difusa. Ele relata ter suspendido o uso de insulina nas últimas 48 horas devido a um quadro gripal. Ao exame físico, apresenta-se desidratado, com respiração profunda e rápida (Kussmaul) e hálito cetônico. Os exames laboratoriais confirmam cetoacidose diabética (CAD). No fígado deste paciente, a ausência severa de insulina associada ao excesso relativo de glucagon altera o metabolismo lipídico, direcionando os ácidos graxos para a cetogênese. Qual é o mecanismo molecular primário que permite essa transição metabólica no fígado sob essas condições hormonais?
Na Cetoacidose Diabética, a cetogênese não é apenas fruto da lipólise periférica, mas sim de uma reprogramação enzimática hepática onde a queda do Malonil-CoA 'abre as comportas' da mitocôndria para a oxidação de gordura.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do DM1, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. A fisiopatologia central envolve a deficiência absoluta de insulina e o excesso de hormônios contrarreguladores, como o glucagon, que alteram drasticamente o metabolismo lipídico hepático. Normalmente, a insulina estimula a síntese de Malonil-CoA, que inibe a Carnitina Palmitoiltransferase I (CPT-I), impedindo a entrada de ácidos graxos na mitocôndria. Na CAD, a queda do Malonil-CoA desinibe a CPT-I, permitindo o fluxo maciço de ácidos graxos para a beta-oxidação e subsequente conversão em acetoacetato e beta-hidroxibutirato. O reconhecimento desse mecanismo é fundamental para entender por que a reposição de insulina é o pilar do tratamento, pois ela reverte a cetogênese ao restaurar os níveis de Malonil-CoA e inibir a lipólise periférica.
É um mecanismo de controle recíproco: evita que a célula tente queimar ácidos graxos ao mesmo tempo em que os está sintetizando (evita um ciclo fútil).
O glucagon ativa a PKA, que fosforila a Acetil-CoA Carboxilase (ACC), tornando-a inativa e reduzindo a produção de Malonil-CoA.
Porque em jejum/diabetes, o oxaloacetato é desviado para a gliconeogênese, tornando o Ciclo de Krebs insuficiente para processar o excesso de Acetil-CoA da beta-oxidação.
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