SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2023
Mulher de 16 anos apresenta poliúria, polifagia e dor abdominal há 2 dias. FC 110bpm; PA 80 x 50mmHg. Exames complementares: cetonúria ++++; creatinina 1,8mg/dL; ureia 219mg/dL; glicemia 480mg/dL; K+ 3,0 mEq/L; Na+ 167 mEq/L;pH 7,1. A conduta inicial é:
CAD grave com hipocalemia e hipernatremia → SF 0,45% + insulina EV, monitorar K+.
O paciente apresenta cetoacidose diabética (CAD) grave com desidratação, acidose metabólica (pH 7,1), hiperglicemia (480mg/dL), hipocalemia (K+ 3,0) e hipernatremia (Na+ 167). A conduta inicial envolve hidratação com solução hipotônica (SF 0,45%) devido à hipernatremia, e insulina endovenosa para corrigir a hiperglicemia e a acidose. A reposição de potássio é crucial, mas a alternativa A é a mais completa para o início.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. É mais comum em pacientes com diabetes tipo 1, mas pode ocorrer em tipo 2 sob estresse fisiológico. A fisiopatologia envolve deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando ao aumento de hormônios contrarreguladores, lipólise e produção excessiva de corpos cetônicos, resultando em acidose. Os sintomas incluem poliúria, polidipsia, polifagia, náuseas, vômitos, dor abdominal e, em casos graves, alteração do nível de consciência. O diagnóstico é confirmado por glicemia >250 mg/dL, pH arterial <7,3, bicarbonato sérico <18 mEq/L e cetonas positivas na urina ou sangue. O manejo inicial é crítico e visa corrigir a desidratação, a hiperglicemia, a acidose e os distúrbios eletrolíticos. A hidratação agressiva com solução salina isotônica (SF 0,9%) é a primeira prioridade, mas em casos de hipernatremia grave, como o da questão (Na+ 167), soluções hipotônicas (SF 0,45%) podem ser consideradas após a fase inicial de expansão. A insulina endovenosa em infusão contínua é essencial para suprimir a cetogênese e reduzir a glicemia. A reposição de potássio é fundamental, pois a acidose e a insulina deslocam o potássio para o intracelular, podendo causar hipocalemia grave e arritmias. O bicarbonato de sódio é raramente indicado, apenas em casos de acidose muito grave (pH <6,9 ou 7,0) com instabilidade hemodinâmica. O monitoramento contínuo de glicemia, eletrólitos, gasometria e estado hemodinâmico é crucial para guiar o tratamento e prevenir complicações.
Os critérios incluem hiperglicemia (>250 mg/dL), acidose metabólica (pH <7,3 e bicarbonato <18 mEq/L) e cetonemia/cetonúria significativas.
A hidratação é crucial para corrigir a hipovolemia e melhorar a perfusão renal, ajudando a diminuir a glicemia e a cetonemia ao aumentar a excreção renal de glicose e cetonas.
A reposição de potássio deve ser iniciada se o K+ sérico for <5,3 mEq/L, e obrigatoriamente antes ou concomitantemente com a insulina se o K+ for <3,3 mEq/L, para evitar arritmias cardíacas.
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