Cetoacidose Diabética Pediátrica: Ânion Gap e Gasometria

UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2020

Enunciado

Paciente pediátrico quando admitido no pronto-socorro, com quadro de cetoacidose diabética, apresenta, comumente, na gasometria arterial, em relação ao ânion gap:

Alternativas

  1. A) Elevação do ânion gap com hipocloremia.
  2. B) Elevação do ânion gap com hipercloremia.
  3. C) Elevação do ânion gap com hipercalemia.
  4. D) Elevação do ânion gap com normocloremia.
  5. E) Elevação do ânion gap com hipercalcemia.

Pérola Clínica

CAD pediátrica = acidose metabólica com ânion gap ↑ e normocloremia.

Resumo-Chave

A cetoacidose diabética é caracterizada por uma acidose metabólica de ânion gap elevado devido ao acúmulo de cetoácidos. Embora o bicarbonato esteja baixo, o cloreto geralmente se mantém em níveis normais, pois a eletroneutralidade é mantida pelos ânions orgânicos.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, mais comum em pacientes com diabetes tipo 1, especialmente em crianças. É caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria. A fisiopatologia envolve a deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à lipólise e produção excessiva de corpos cetônicos (ácidos beta-hidroxibutírico e acetoacético), que são ácidos fortes e causam acidose metabólica. Na gasometria arterial, a CAD se manifesta como uma acidose metabólica de ânion gap elevado. O ânion gap é calculado como [Na+] - ([Cl-] + [HCO3-]) e reflete a presença de ânions não medidos no plasma. Na CAD, os cetoácidos são esses ânions, consumindo o bicarbonato e elevando o ânion gap. É importante notar que, apesar da acidose e do baixo bicarbonato, os níveis de cloreto geralmente permanecem normais (normocloremia), distinguindo-a de outras acidoses. O manejo da CAD envolve hidratação venosa, insulinoterapia e correção de distúrbios eletrolíticos. O monitoramento da gasometria e do ânion gap é essencial para guiar o tratamento e avaliar a resposta. A compreensão desses achados laboratoriais é fundamental para o diagnóstico e manejo eficaz da CAD em pacientes pediátricos, evitando complicações como o edema cerebral.

Perguntas Frequentes

O que é o ânion gap e por que ele se eleva na cetoacidose diabética?

O ânion gap é a diferença entre os cátions e ânions não medidos no plasma. Na cetoacidose diabética, ele se eleva devido ao acúmulo de cetoácidos (beta-hidroxibutirato e acetoacetato), que são ânions não medidos, consumindo o bicarbonato e aumentando a diferença.

Qual a importância da normocloremia na cetoacidose diabética?

A normocloremia na cetoacidose diabética é um achado típico que ajuda a diferenciar esta condição de outras causas de acidose metabólica, como a acidose tubular renal ou a diarreia grave, onde a hipercloremia pode estar presente.

Quais são os principais achados da gasometria arterial na cetoacidose diabética?

Na cetoacidose diabética, a gasometria arterial tipicamente revela pH baixo (acidose), bicarbonato baixo e um ânion gap elevado. A PaCO2 pode estar reduzida devido à compensação respiratória (respiração de Kussmaul).

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