UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2020
Paciente pediátrico quando admitido no pronto-socorro, com quadro de cetoacidose diabética, apresenta, comumente, na gasometria arterial, em relação ao ânion gap:
CAD pediátrica = acidose metabólica com ânion gap ↑ e normocloremia.
A cetoacidose diabética é caracterizada por uma acidose metabólica de ânion gap elevado devido ao acúmulo de cetoácidos. Embora o bicarbonato esteja baixo, o cloreto geralmente se mantém em níveis normais, pois a eletroneutralidade é mantida pelos ânions orgânicos.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, mais comum em pacientes com diabetes tipo 1, especialmente em crianças. É caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria. A fisiopatologia envolve a deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando à lipólise e produção excessiva de corpos cetônicos (ácidos beta-hidroxibutírico e acetoacético), que são ácidos fortes e causam acidose metabólica. Na gasometria arterial, a CAD se manifesta como uma acidose metabólica de ânion gap elevado. O ânion gap é calculado como [Na+] - ([Cl-] + [HCO3-]) e reflete a presença de ânions não medidos no plasma. Na CAD, os cetoácidos são esses ânions, consumindo o bicarbonato e elevando o ânion gap. É importante notar que, apesar da acidose e do baixo bicarbonato, os níveis de cloreto geralmente permanecem normais (normocloremia), distinguindo-a de outras acidoses. O manejo da CAD envolve hidratação venosa, insulinoterapia e correção de distúrbios eletrolíticos. O monitoramento da gasometria e do ânion gap é essencial para guiar o tratamento e avaliar a resposta. A compreensão desses achados laboratoriais é fundamental para o diagnóstico e manejo eficaz da CAD em pacientes pediátricos, evitando complicações como o edema cerebral.
O ânion gap é a diferença entre os cátions e ânions não medidos no plasma. Na cetoacidose diabética, ele se eleva devido ao acúmulo de cetoácidos (beta-hidroxibutirato e acetoacetato), que são ânions não medidos, consumindo o bicarbonato e aumentando a diferença.
A normocloremia na cetoacidose diabética é um achado típico que ajuda a diferenciar esta condição de outras causas de acidose metabólica, como a acidose tubular renal ou a diarreia grave, onde a hipercloremia pode estar presente.
Na cetoacidose diabética, a gasometria arterial tipicamente revela pH baixo (acidose), bicarbonato baixo e um ânion gap elevado. A PaCO2 pode estar reduzida devido à compensação respiratória (respiração de Kussmaul).
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