HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023
Mulher de 32 anos de idade, com idade gestacional de 8 semanas, comparece para a primeira consulta de pré-natal. Teve uma gestação anterior, com parto normal e sem complicações, há 4 anos. Está assintomática no momento. Tem história de epilepsia desde a infância, bem controlada com uso de carbamazepina, e de tabagismo desde os 14 anos de idade, fumando cerca de uma carteira de cigarros por dia. Já tentou parar de fumar múltiplas vezes, sem sucesso. Não foram detectadas alterações durante o exame físico. Qual(is) estratégia(s) deve(m) ser adotada(s) para se obter a cessação do tabagismo na paciente neste momento?
Gestante tabagista → Estratégias comportamentais + TRN (adesivo nicotina) são seguras e eficazes.
Em gestantes tabagistas, a cessação do tabagismo é prioritária devido aos riscos fetais. A abordagem inicial inclui aconselhamento comportamental e, se necessário, terapia de reposição de nicotina (TRN), como o adesivo, que é considerado seguro e eficaz, com menor exposição à nicotina do que o cigarro.
O tabagismo durante a gestação representa um risco significativo para a saúde da mãe e do feto, associado a complicações como parto prematuro, restrição de crescimento intrauterino e síndrome da morte súbita do lactente. A cessação do tabagismo é uma das intervenções mais importantes no pré-natal. A abordagem para gestantes tabagistas deve sempre iniciar com estratégias comportamentais, incluindo aconselhamento intensivo e suporte psicológico. No entanto, para pacientes com alta dependência e falha das abordagens não farmacológicas, a terapia de reposição de nicotina (TRN) é considerada uma opção segura e eficaz. Entre as formas de TRN, o adesivo de nicotina é frequentemente preferido por proporcionar uma liberação contínua e mais estável de nicotina, minimizando picos e vales. É crucial ressaltar que a bupropiona e a vareniclina são geralmente contraindicadas na gravidez devido à falta de dados de segurança adequados. A decisão de usar TRN deve ser individualizada, pesando os riscos da exposição à nicotina da TRN versus os riscos contínuos do tabagismo. O objetivo é reduzir a exposição fetal a todas as toxinas do cigarro, e a TRN é uma ferramenta valiosa nesse processo.
O tabagismo na gravidez aumenta o risco de aborto espontâneo, parto prematuro, restrição de crescimento intrauterino, descolamento prematuro de placenta, placenta prévia e síndrome da morte súbita do lactente.
A bupropiona é contraindicada na gravidez devido à falta de dados de segurança robustos e ao potencial risco de malformações congênitas, embora alguns estudos não mostrem aumento significativo. A TRN é preferível.
O adesivo de nicotina oferece uma liberação controlada e mais estável de nicotina, sem as milhares de outras substâncias tóxicas presentes no cigarro, resultando em uma exposição total à nicotina menor e mais segura para a gestante e o feto.
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