UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2022
Há algum tempo o Sr. Pedro, de 65 anos, vinha apresentando episódios recorrentes e cada vez mais frequentes de tosse, que por vezes era acompanhada por falta de ar e expectoração. Recentemente, após realizar uma espirometria, soube-se que estava estabelecido um padrão de doença pulmonar obstrutiva crônica. Mesmo após esse diagnóstico e apesar das diversas conversas que teve com seu médico de família e comunidade a respeito da relação desse hábito com o seu problema de saúde, o paciente continua fumando. A respeito desse caso, assinale a alternativa correta.
DPOC + tabagismo persistente: Abordagem motivacional, explorando expectativas do paciente, é chave para engajamento e mudança.
Mesmo diante da persistência do tabagismo, o médico deve manter uma abordagem empática e não julgadora. Explorar as expectativas do paciente, seus medos e valores, utilizando princípios da entrevista motivacional, pode fortalecer a relação e, eventualmente, levá-lo à decisão de parar de fumar.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição respiratória progressiva e irreversível, caracterizada por limitação crônica do fluxo aéreo, geralmente causada pela exposição prolongada a partículas ou gases nocivos, sendo o tabagismo o principal fator de risco. O diagnóstico é confirmado por espirometria, que revela um padrão obstrutivo não totalmente reversível. A cessação do tabagismo é a intervenção mais eficaz para retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida. No entanto, muitos pacientes, mesmo após o diagnóstico e a orientação médica, continuam fumando, o que representa um desafio significativo na prática clínica. Nesses casos, a abordagem do médico de família e comunidade deve ir além da mera informação sobre os riscos. É fundamental adotar uma postura empática, não julgadora e centrada no paciente, utilizando técnicas de comunicação que promovam a autonomia e a motivação para a mudança. A entrevista motivacional é uma ferramenta poderosa nesse contexto, permitindo ao médico explorar as percepções do paciente sobre sua doença, seus medos, valores e expectativas. Perguntar sobre o que o paciente espera da consulta ou do tratamento, mesmo que ele ainda não esteja pronto para parar de fumar, pode abrir um canal de diálogo, fortalecer o vínculo terapêutico e semear a semente da mudança, respeitando o tempo e a decisão do indivíduo. Ameaçar ou impor condições (como na alternativa D) é contraproducente e pode prejudicar a relação médico-paciente.
A entrevista motivacional ajuda a explorar as ambivalências do paciente em relação ao tabagismo, fortalecer sua motivação interna para a mudança e desenvolver um plano de ação, respeitando sua autonomia.
Entender as expectativas do paciente permite ao médico alinhar o plano de cuidado com os valores e objetivos do indivíduo, tornando a intervenção mais relevante e aumentando a adesão.
O médico deve manter uma postura de acolhimento e não julgamento, continuar oferecendo suporte e informações, e explorar as barreiras e motivações do paciente, sem desistir da abordagem.
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