HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2023
João, 48 anos, internado na UTI no 3º dia após infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento de segmento ST. No momento está sem dor ou dispneia. É obeso e tabagista (20 anos/maço), sem outras comorbidades. Interrompeu o tabagismo na internação e não sente falta, mostra-se motivado a persistir abstêmio após, a alta hospitalar. Entretanto, tem medo de fissuras quando voltar para sua rotina diária. Qual medicamento está indicado para a cessação do tabagismo para o João?
Bupropiona = primeira linha para cessação tabagismo, reduz fissura e ganho de peso.
A bupropiona é um antidepressivo atípico que atua como inibidor da recaptação de dopamina e noradrenalina, sendo eficaz na redução do desejo de fumar e dos sintomas de abstinência, incluindo a 'fissura'. É uma opção de primeira linha para cessação do tabagismo, especialmente em pacientes com comorbidades cardiovasculares, e não é contraindicada após IAM.
A cessação do tabagismo é uma das intervenções mais custo-efetivas para melhorar a saúde, especialmente em pacientes com doença cardiovascular, como o infarto agudo do miocárdio (IAM). O tabagismo é um fator de risco modificável crucial para eventos cardiovasculares, e a interrupção imediata é fundamental para o prognóstico e prevenção de novos eventos. A bupropiona é um antidepressivo atípico que atua como inibidor seletivo da recaptação de dopamina e noradrenalina. Seu mecanismo de ação na cessação do tabagismo envolve a redução do desejo de fumar e a atenuação dos sintomas de abstinência, como irritabilidade, ansiedade e a 'fissura' (craving). É considerada uma terapia de primeira linha e é segura para pacientes pós-IAM, desde que não haja contraindicações como histórico de convulsões. Outras opções incluem a terapia de reposição de nicotina (adesivos, gomas, pastilhas) e a vareniclina. A escolha do tratamento deve ser individualizada, considerando comorbidades, preferências do paciente e histórico de tentativas anteriores. O suporte comportamental, em conjunto com a farmacoterapia, aumenta significativamente as taxas de sucesso na cessação do tabagismo, sendo um pilar fundamental no manejo.
A bupropiona é eficaz porque atua no sistema dopaminérgico e noradrenérgico, reduzindo o desejo de fumar e os sintomas de abstinência, como a fissura. É segura e recomendada para pacientes com doença cardiovascular estável, incluindo pós-IAM, pois não possui efeitos cardiovasculares adversos significativos.
Além de reduzir a fissura, a bupropiona pode auxiliar na prevenção do ganho de peso associado à cessação do tabagismo, um fator que muitas vezes desmotiva os pacientes. Ela pode ser usada isoladamente ou em combinação com a terapia de reposição de nicotina, aumentando as taxas de sucesso.
As principais contraindicações incluem histórico de convulsões, transtornos alimentares (bulimia/anorexia) e uso concomitante de inibidores da MAO. Efeitos adversos comuns são insônia, boca seca e cefaleia, que geralmente são leves e transitórios.
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