SMA Volta Redonda - Secretaria Municipal de Saúde (RJ) — Prova 2023
RFJ, sexo masculino, 52 anos, comparece à Unidade Básica de Saúde e solicita tratamento para tabagismo. Começou a fumar aos 17 anos. Desde então, associa o hábito com uso de bebidas alcoólicas, café, após refeições, trabalho, alegria e ansiedade. Afirma que fumar sempre lhe proporcionou prazer e sensação de tranquilidade. Já tentou parar de fumar algumas vezes, sem sucesso. Há 10 dias apresentou Infarto Agudo do Miocárdio. Diz que depois desse "susto", sente-se pronto para parar de fumar. Ficou sem fumar durante a internação, mas ao ter alta e ficar sem acompanhamento, recaiu, pois, se sentia muito irritado, ansioso e não conseguia controlar a vontade de fumar. No teste de Fagerström sua pontuação foi igual a sete. No momento, voltou a fumar 20 cigarros ao dia. Não apresenta sintomas depressivos. Relata histórico de crises convulsivas. Neste momento, a conduta mais adequada para o médico que o atende é:
Tabagista com IAM recente e histórico convulsivo (contraindicação bupropiona) → Abordagem intensiva + Entrevista Motivacional é prioritária.
Pacientes com alto grau de dependência nicotínica (Fagerström ≥ 5) e comorbidades como IAM recente ou histórico de convulsões exigem uma abordagem intensiva e individualizada. A bupropiona é contraindicada em pacientes com histórico de convulsões, tornando o aconselhamento e a entrevista motivacional pilares fundamentais antes da farmacoterapia.
A cessação do tabagismo é uma das intervenções mais custo-efetivas na saúde pública, impactando diretamente a morbimortalidade por doenças cardiovasculares, respiratórias e neoplásicas. A dependência nicotínica é uma doença crônica que exige uma abordagem multifacetada, especialmente em pacientes com comorbidades como Infarto Agudo do Miocárdio recente, que aumenta a motivação para parar de fumar. A avaliação do grau de dependência, frequentemente realizada pelo teste de Fagerström, é crucial para guiar a intensidade do tratamento. Uma pontuação de 7 indica alta dependência. A entrevista motivacional é uma ferramenta poderosa para explorar e resolver a ambivalência do paciente em relação à mudança, aumentando sua prontidão para parar. O aconselhamento terapêutico estruturado ou abordagem intensiva envolve sessões regulares de suporte psicológico e comportamental. A farmacoterapia é um componente importante, mas deve ser individualizada. A bupropiona, um antidepressivo atípico, é eficaz, mas contraindicada em pacientes com histórico de convulsões. A Terapia de Reposição de Nicotina (TRN) é uma alternativa segura e eficaz, mas a escolha e a combinação devem considerar as comorbidades e contraindicações. Em casos de contraindicação farmacológica ou alta dependência, o suporte comportamental intensivo torna-se ainda mais vital.
A abordagem intensiva inclui aconselhamento estruturado, entrevista motivacional e, quando indicado, farmacoterapia. É fundamental para pacientes com alta dependência ou comorbidades, visando aumentar as chances de sucesso.
A bupropiona é contraindicada em pacientes com histórico de convulsões, transtornos alimentares, uso de inibidores da MAO e em casos de abstinência alcoólica ou de benzodiazepínicos, devido ao risco de baixar o limiar convulsivo.
O teste de Fagerström avalia o grau de dependência nicotínica. Uma pontuação alta (≥ 5) indica alta dependência e a necessidade de uma abordagem mais intensiva, frequentemente combinando aconselhamento e farmacoterapia para maior eficácia.
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