FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Homem, 52 anos, fuma 20 cigarros por dia e deseja parar de fumar. Ele já tentou sem sucesso, relatando ansiedade e irritabilidade intensas durante as tentativas. Possui hipertensão controlada e nenhum histórico de convulsões. Durante a consulta, pergunta sobre as opções mais eficazes para cessar o tabagismo. Qual é a abordagem mais adequada para auxiliar esse paciente?
Sucesso na cessação = Farmacoterapia + Aconselhamento Comportamental (Abordagem Combinada).
A combinação de suporte psicológico e medicamentos dobra as chances de abstinência a longo prazo em comparação com qualquer método isolado.
O tratamento do tabagismo é uma das intervenções de melhor custo-benefício na medicina preventiva. A abordagem deve ser baseada nos '5 As': Ask (Perguntar), Advise (Aconselhar), Assess (Avaliar), Assist (Assistir) e Arrange (Acompanhar). A farmacoterapia de primeira linha inclui a Terapia de Reposição de Nicotina (adesivos, gomas, pastilhas), a Bupropiona e a Vareniclina. Em pacientes com doenças cardiovasculares estáveis, a TRN é segura e recomendada, pois o risco da nicotina medicinal é infinitamente menor que o risco de continuar fumando (que envolve monóxido de carbono e milhares de substâncias tóxicas). A combinação de diferentes formas de TRN (adesivo para liberação lenta + goma para fissuras agudas) também é uma estratégia eficaz. O acompanhamento regular é vital, especialmente nos primeiros 3 meses, onde o risco de recaída é maior.
O tabagismo é uma dependência complexa que envolve componentes físicos (dependência de nicotina nos receptores cerebrais) e psicológicos (hábitos, gatilhos emocionais e rituais sociais). A farmacoterapia, seja com TRN, bupropiona ou vareniclina, atua reduzindo os sintomas de abstinência física e o 'craving'. No entanto, o aconselhamento comportamental fornece ao paciente ferramentas cognitivas para lidar com os gatilhos e reestruturar sua rotina sem o cigarro. Estudos mostram consistentemente que a taxa de sucesso é significativamente maior quando ambas as intervenções são realizadas simultaneamente, pois tratam as duas faces da dependência.
A bupropiona é um antidepressivo que inibe a recaptação de dopamina e noradrenalina, sendo eficaz na cessação tabágica. Sua principal contraindicação é o risco de convulsões, ocorrendo em cerca de 0,1% dos pacientes. Portanto, é contraindicada em indivíduos com histórico de epilepsia, transtornos alimentares (bulimia ou anorexia, devido ao risco aumentado de convulsão por distúrbios eletrolíticos) e naqueles em processo de descontinuação abrupta de álcool ou benzodiazepínicos. Hipertensão controlada não é contraindicação, embora a pressão deva ser monitorada durante o tratamento.
A dose da Terapia de Reposição de Nicotina (TRN) transdérmica deve ser individualizada com base no grau de dependência, geralmente estimado pelo número de cigarros fumados por dia. Para pacientes que fumam mais de 10 a 15 cigarros por dia, a recomendação inicial costuma ser o adesivo de 21 mg/dia por 4 a 6 semanas, seguido de redução gradual (14 mg e depois 7 mg). O uso de adesivos de baixa dosagem (como 14 mg) como dose inicial para fumantes pesados (20 cigarros/dia) frequentemente resulta em subtratamento e falha na tentativa de cessação por controle inadequado da abstinência.
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