HSA Guarujá - Hospital Santo Amaro de Guarujá (SP) — Prova 2021
Paciente, 20 anos, refere ter iniciado um relacionamento há 1 mês e informa que não utiliza preservativo durante as relações sexuais. Apresenta, ao exame especular, colo friável, com secreção mucopurulenta em endocérvice. Qual diagnóstico mais provável e o tratamento?
Colo friável + secreção mucopurulenta em endocérvice → cervicite por gonococo/clamídia; tratar com ceftriaxona + azitromicina.
A cervicite mucopurulenta é uma síndrome clínica comum em mulheres sexualmente ativas, frequentemente causada por Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis. A presença de colo friável e secreção mucopurulenta é altamente sugestiva, e o tratamento empírico deve cobrir ambos os patógenos devido à alta coinfecção e às graves sequelas reprodutivas.
A cervicite mucopurulenta (CMP) é uma inflamação do colo uterino caracterizada pela presença de secreção mucopurulenta no canal endocervical e/ou friabilidade do colo uterino ao toque com swab. É uma das manifestações mais comuns de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) em mulheres, sendo Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis os agentes etiológicos mais frequentes. A prevalência é maior em mulheres jovens, com múltiplos parceiros sexuais ou que não utilizam preservativos. O diagnóstico da CMP é primariamente clínico, baseado nos achados do exame especular. A paciente pode ser assintomática ou apresentar queixas como corrimento vaginal, sangramento intermenstrual ou pós-coito, e disúria. A identificação de colo friável e secreção mucopurulenta é crucial. Embora o diagnóstico definitivo exija testes laboratoriais específicos para gonococo e clamídia, o tratamento empírico é recomendado na primeira consulta devido à alta taxa de coinfecção e ao risco de sequelas. O tratamento empírico da CMP deve cobrir ambos os patógenos. As diretrizes atuais recomendam uma dose única de ceftriaxona intramuscular para N. gonorrhoeae e azitromicina oral em dose única para C. trachomatis. A não instituição do tratamento adequado pode levar a complicações sérias como Doença Inflamatória Pélvica (DIP), infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica. É fundamental o aconselhamento sobre sexo seguro e o rastreamento de parceiros sexuais.
Os principais sinais clínicos incluem colo uterino friável (sangra facilmente ao toque com swab), presença de secreção mucopurulenta no orifício externo do colo e, por vezes, dor à mobilização do colo.
O tratamento deve cobrir ambos os patógenos devido à alta taxa de coinfecção (cerca de 30-40%) e à dificuldade de diferenciar clinicamente as infecções. O tratamento empírico previne sequelas graves como DIP e infertilidade.
A cervicite não tratada pode levar a complicações graves como Doença Inflamatória Pélvica (DIP), infertilidade, gravidez ectópica, dor pélvica crônica e aumento do risco de transmissão de HIV.
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